Canela-de-ema, típica de campos rupestres, tem abelhas e beija-flores como chave do seu sucesso reprodutivo 



Abelhas e beija-flores são essenciais para a perpetuação de inúmeras plantas. Esses animais juntamente com outros diversos polinizadores são diretamente responsáveis pelo sucesso reprodutivo das plantas com flores. 

A canela-de-ema (Gênero Vellozia), uma planta típica dos campos rupestres, ambientes de altitude característicos especialmente das regiões montanhosas do cerrado, não foge à regra. 

Recente estudo publicado na Revista Annals of Botany, da Universidade de Oxford, Reino Unido, aponta que essas plantas, têm as abelhas e os beija-flores como chave para a sua manutenção na natureza. 

Embora as canelas-de-ema possam se autofecundar, abelhas e beija-flores são vitais para a formação de sementes viáveis e a manutenção da diversidade genética nessas plantas – revelou o estudo que contou com financiamento da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.

O trabalho foi liderado pela pesquisadora Irene Gélvez-Zúñiga, com a participação da professora Patricia Morellato, ambas associadas ao CBioClima – Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima – e ao Instituto de Biociências da UNESP de Rio Claro e outros pesquisadores. 

Segundo o CBioClima, o gênero Vellozia reúne cerca de 265 espécies distribuídas principalmente em áreas montanhosas brasileiras. O gênero é um dos componentes vegetais mais representativos dos campos rupestres. 

O estudo analisou 13 espécies de canela-de-ema encontradas nos campos de altitude na Serra do Cipó. 

As canelas-de-ema possuem flores grandes com cores que variam do branco ao roxo intenso com aspectos que contribuem para a polinização cruzada, favorecendo a sua variabilidade genética. 

“A diversidade genética não é um detalhe estatístico: ela constitui a matéria-prima da adaptação evolutiva diante de ambientes em constante transformação” – informou o Neomondo

Dois padrões de floração foram identificados durante o estudo, um padrão composto de espécies que produzem grandes quantidades de flores em curtos períodos, entre os meses de outubro e fevereiro, durante a estação chuvosa, e, outro padrão, que engloba espécies que florescem prolongadamente ao longo dos meses mais secos. 

Algumas espécies do gênero Vellozia são ecologicamente adaptadas para uma floração associada à dinâmica do fogo, evento típico dos ambientes de cerrado. 

Embora as espécies estudadas possam produzir frutos por autofecundação, os indivíduos que produzem sementes mais viáveis, dependeram enormemente dos polinizadores, pelo menos em 7 espécies entre as 11 em que durante os experimentos a presença deles foi suprimida. 

Os pesquisadores verificaram ainda que nos frutos eventualmente produzidos sem a interação entre as plantas e os polinizadores, as sementes eram de baixa qualidade e muitas vezes não germinavam. 

O estudo concluiu também que embora muitas plantas com flores, entre elas diversas espécies do gênero Vellozia, tenham a autofecundação como estratégia de segurança reprodutiva, a reprodução cruzada realizada pelos polinizadores é a principal forma de conectividade genética entre populações vegetais. 

O estudo sugere assim que as espécies do gênero Vellozia estudas, podem ter sua capacidade de adaptação à eventuais mudanças ambientais comprometida, em caso de uma possível redução das populações de abelhas e beija-flores nos habitats em que proliferam. 

Essa conclusão pode ser estendida para todas as outras espécies de plantas com flores em relação aos seus polinizadores? Provavelmente sim. 

Segundo a Agência Fapesp, os campos rupestres são verdadeiras “fábricas” de vida. Essa vegetação de topos de montanhas é muito sensível às mudanças climáticas. 

Diante disso, alterações ecológicas mesmo pequenas, podem comprometer os serviços ecossistêmicos que esse ambiente produz. 

Imagem da Capa – Canela-de-ema – Gênero Vellozia – Foto – CbioClima – Reprodução

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Jefferson Alvarenga

Jefferson Alvarenga é criador e editor do Site Biota do Futuro. Biólogo, Pós Graduado em Gestão da Saúde Ambiental e em Imunologia e Microbiologia. Apaixonado por educação, pesquisa e por divulgação científica.

Como citar este conteúdo: ALVARENGA, Jefferson. Canela-de-ema, típica de campos rupestres, tem abelhas e beija-flores como chave do seu sucesso reprodutivo . Biota do Futuro. Betim, 3 de agosto de 2026. Disponível em: https://www.biotadofuturo.com.br/canela-de-ema-tipica-de-campos-rupestres-tem-abelhas-e-beija-flores-como-chave-do-seu-sucesso-reprodutivo/. Acesso em 03/08/2026 às 18:44 h.

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