Cataratas de Sangue na Antártida abrigam descendentes de organismos marinhos antigos 


O planeta Terra tem locais e ambientes absolutamente incríveis que à medida que vão sendo descobertos e desvendados, descortinam conhecimentos fantásticos. Assim, a ciência nos revela cada vez mais o quanto nosso mundo é realmente maravilhoso. 

Os vales congelados localizados em uma região chamada McMurdo na Antártida, possuem um conjunto de afloramentos líquidos incomuns. São as Cataratas de Sangue (Blood Falls), formadas por fluxos d’água que emergem da Geleira Taylor e escorrem para o Lago Bonney, naquele continente gelado. 

Os Vales Secos de McMurdo estão entre os desertos mais frios da Terra e são um laboratório natural para a vida na fronteira da habitabilidade – revelou o Scripps Institution of Oceanography da Universidade da Califórnia em San Diego, Estados Unidos. 

O nome da formação natural que fascina os cientistas é devido à cor das suas águas com aparência de sangue. Recente estudo publicado na Revista Nature Geoscience revelou que as águas avermelhadas das Cataratas de Sangue têm origem marinha antiga. 

A correnteza vermelha tem explicação, mas a maior surpresa encontrada nela é na verdade o que ela conserva do oceano que existiu ali no passado distante. 

Os pesquisadores encontraram nas Cataratas de sangue uma comunidade de microrganismos marinhos que incluem diatomáceas, hapófitas, dinoflagelados e ciliados, espécies eucarióticas complexas, que sustentam suas atividades biológicas mesmo sob condições absolutamente inóspitas. 

Análises moleculares revelaram evidências de que esses microrganismos são descendentes de antigas comunidades, o que sugere que ficaram isoladas quando a água do mar foi aprisionada sob o gelo em tempos pretéritos. 

Cachoeiras de Sangue – Foto – Peter Rejcek – National Science Foundation

Eles são capazes de realizar fotossíntese, reparar células e ativar mecanismos de defesa contra o frio, contra o estresse ambiental e contra a elevada salinidade dos ambientes em que vivem. 

“Um raro refúgio marinho no deserto polar” – descreveram os cientistas se referindo ao local, no artigo que publicizou o estudo sobre as Cataratas de Sangue. 

A assinatura biológica da água, que emerge debaixo do gelo, revelou que o Vale Taylor em tempos remotos tinha comunicação com o mar. Com o avanço do gelo, a água que inundava o vale ficou isolada sob a geleira – informou O Antagonista.

A alta concentração de sal contribui para manter a água em estado líquido naquela região extremamente fria. Os microrganismos passaram a viver longe de onde está o oceano nos tempos presentes. 

A cor característica da água das Cataratas de Sangue é resultado da salmoura rica em ferro que ao entrar em contato com a superfície, reage com o oxigênio, oxida e produz os tons vermelhos que contrastam com a brancura do gelo ao seu redor. 

A atividade biológica existente nas águas das cataratas mostrou que muitos organismos microscópicos podem persistir por longos períodos isolados em ambientes frios, escuros e salgados, revelando pistas que ajudam a reconstruir a trajetória ambiental dos seus habitats.   

O trabalho sobre as Cataratas de Sangue foi liderado por Angela Zoumplis, ex-doutoranda conjunta entre o J. Craig Venter Institute (JCVI) e o Scripps Institution of Oceanography. Atualmente Zoumplis  é pesquisadora de pós-doutorado na Universidade de Yale e cientista visitante no JCVI. 

Imagem da Capa – Centistas trabalhando nas Cataratas de Sangue na Antártida – O antagonista

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Foto de Jefferson Alvarenga

Jefferson Alvarenga

Jefferson Alvarenga é criador e editor do Site Biota do Futuro. Biólogo, Pós Graduado em Gestão da Saúde Ambiental e em Imunologia e Microbiologia. Apaixonado por educação, pesquisa e por divulgação científica.

Como citar este conteúdo: ALVARENGA, Jefferson. Cataratas de Sangue na Antártida abrigam descendentes de organismos marinhos antigos . Biota do Futuro. Betim, 13 de agosto de 2026. Disponível em: https://www.biotadofuturo.com.br/cataratas-de-sangue-na-antartida-abrigam-descendentes-de-organismos-marinhos-antigos/. Acesso em 13/08/2026 às 14:23 h.

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