Empresa diz ter realizado a primeira “desextinção” da história, cientistas estão cautelosos com o anúncio


A empresa Colossal Biosciences noticiou no último dia 7 de abril ter trazido de volta à vida um organismo extinto há mais de 10 mil anos.

Trata-se do lobo-terrível, (Aenocyon dirus), trazidos de volta em 1º de outubro de 2024. Os dois primeiros espécimes machos foram batizados de Rômulo e Remo, em homenagem aos lendários fundadores de Roma, que foram amamentados por uma loba.

Existe também uma fêmea chamada Khaleesi, em homenagem a um personagem de “Game of Thrones”, nascida em 31 de janeiro de 2025.

Usando técnicas de edição genética, à partir de DNA antigo encontrado em fósseis, incluindo um dente e um osso do ouvido interno que datam de 11.500 até 72.000 anos, eles dizem ter reconstruído o genoma completo da espécie, permitindo o que seria a primeira desextinção da história.

Lobos-terríveis, teriam prosperado na América do Norte, como um dos predadores mais bem sucedidos da Era Glacial. Eles teriam desaparecido com a extinção da megafauna no final do Pleistoceno.

Segundo informação da empresa, o objetivo da organização sempre foi claro, “Revolucionar a história e ser a primeira empresa a usar a tecnologia CRISPR com sucesso na desextinção de espécies anteriormente perdidas”.

A empresa diz ter ambições mais amplas de colaborar com a ciência da biologia da conservação e “aceitar o dever da humanidade de restaurar a Terra a um estado mais saudável” – publicou no X – Twitter.

Publicação da Colossal Biosciences no X – Twitter – Reprodução

Entretanto, os detalhes do feito, não foram divulgados para revisão por outros cientistas, nem publicado em nenhum periódico de destaque na forma de artigo pela empresa de biotecnologia norte-americana, sediada em Dallas.

Alguns cientistas já questionam o anúncio. Para, Corey Bradshaw, professor de Ecologia Global da Universidade Flinders, na Austrália, as alegaçõe feitas pela Colossal Biosciences “exigem provas robustas”.

“A degradação natural do DNA em fósseis impossibilita atualmente reconstruir completamente o genoma de animais extintos há milhares de anos, o que limita as possibilidades reais da chamada “desextinção” – disse Bradshaw à Reuters – Noticiou o G1.

Em reportagem publicada na revista Time, o órgão de imprensa diz que a “realização da Colossal não envolveu a recriação integral do DNA do lobo-terrível, mas sim a edição genética do material de lobos modernos. Foram feitas alterações em cerca de 20 regiões do genoma para obter as características da espécie extinta” – Informou o Portal G1.

Os caracteres realçados foram tamanho, ombros e cabeça, dentes e mandíbulas maiores, pernas mais musculosas e vocalização característica.

Especialistas da comunidade científica postulam que os filhotes obtidos pela Colossal Biosciences, seriam lobos-cinzentos geneticamente modificados porque o processo usado para criá-los envolveu a edição dos genes daquela espécie para adicionar características de lobo-terrível. Animais híbridos portanto.

A colossal Biosciences diz trabalhar para trazer de volta também outros animais já extintos, como o mamute-lanoso, o tigre-da-tasmânia, e a ave dodô.

Controvérsias à parte, é bom aguardar uma possível publicação de material científico referente ao que alega a empresa, para análise e revisão por pares, a fim de que o feito seja confirmado, melhor explicado ou até mesmo refutado. É preciso ter cautela.

Entretanto, Segundo o Site GQ, Beth Shapiro, Bióloga, Diretora-Científica da Colossal Biosciences, defende que houve a desextinção.

“Um lobo cinzento é o parente vivo mais próximo de um lobo-terrível. Eles são geneticamente muito semelhantes. Então, direcionamos sequências de DNA que levam a características e editamos células de lobo cinzento” – afirmou.

Em entrevista à New Scientist, Shapiro disse que ela e sua equipe conseguiram sequenciar o genoma completo do lobo-terrível e que ele estará disponível para a comunidade científica e o público em geral “em breve” – Informou o Estadão em postagem no MSN.

A diretora-científica da Colossal é Bióloga Molecular e também diretora do Instituto de Genômica da Universidade da Califórnia, e pesquisadora do Instituto Howard Hughes.

Imagem da capa – Lobo-terrível com cinco meses – Foto -Colossal Biosciences – Divulgação

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Jefferson Alvarenga

Jefferson Alvarenga é criador e editor do Site Biota do Futuro. Biólogo, Pós Graduado em Gestão da Saúde Ambiental e em Imunologia e Microbiologia. Apaixonado por educação, pesquisa e por divulgação científica.

Como citar este conteúdo: ALVARENGA, Jefferson. Empresa diz ter realizado a primeira “desextinção” da história, cientistas estão cautelosos com o anúncio. Biota do Futuro. Betim, 9 de abril de 2025. Disponível em: https://www.biotadofuturo.com.br/empresa-diz-ter-realizado-a-primeira-desextincao-da-historia-cientistas-estao-cautelosos-com-o-anuncio/. Acesso em 26/05/2026 às 14:31 h.

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