Macacos da Amazônia brasileira estão sendo contaminados com a versão humana do vírus da hepatite B.
A ocorrência foi registrada em regiões impactadas pela ação do homem, como possíveis consequências invisíveis da invasão de regiões naturais de forma desordenada.
Segundo um estudo publicado no periódico EcoHealth, e assinado por 17 pesquisadores, liderados por profissionais da University of Salford, no Reino Unido e da Fundação Oswaldo Cruz de Rondônia (Fiocruz/RO), o mecanismo de contágio entre humanos e macacos ainda está sendo investigado.
Entretanto os pesquisadores concluíram como fato científico que os genótipos virais encontrados nos macacos infectados correspondem às cepas do vírus da hepatite B anotadas na população humana aportada na região.
A transmissão de doenças humanas para a fauna silvestre preocupa os especialistas em biologia da conservação.
O fenômeno é conhecido na comunidade científica como “zoonose reversa” ou “antroponose”, ao invés da doença passar do animal para seres humanos, somos nós os responsáveis por infectar os animais – diz reportagem de O ECO.
A pesquisa aponta que “o desmatamento e a invasão humana nos habitats da vida selvagem aumentam as interações entre humanos e primatas, facilitando a transmissão de doenças entre espécies”.
Especialmente primatas foram avaliados em duas regiões da Amazônia, uma fortemente impactada por atividades humanas e outra minimamente impactada.
A área mais impactada é localizada no Sudoeste da Amazônia, entre os estados de Rondônia, Amazonas e Mato Grosso. Já a outra apresentando impactos humanos irrelevantes, é localizada no curso superior do rio Japurá, no norte do Amazonas.
Três gêneros de primatas foram avaliados. O macaco-aranha (Ateles sp.), o zogue-zogue (Plecturocebus sp.) e o guariba (Alouatta sp.) foram encontrados infectados. Além deles, macacos-pregos (Sapajus) e macacos-de-cheiro (Saimiri) também apresentaram a doença.
Todos eles são frequentemente caçados e consumidos, e os macaco-de-cheiro (Saimiri), são também comumente mantidos ilegalmente como animais domésticos.
A oferta de alimentos para animais silvestres, a proximidade entre humanos e primatas em função da caça, o abate e o consumo da carne exótica e o comércio ilegal dos animais e até sua adoção como pets estão entre os prováveis meios de contágio.
O estudo avaliou amostras de sangue e fígado de 88 primatas de diferentes espécies.
Nas áreas antropogenicamente perturbadas um terço dos macacos apresentou o vírus da hepatite B Humana, (HBV). Os macacos da região mais remota e preservada não apresentaram infecção pelo HBV.
Os cientistas inferiram dos resultados do estudo, que o transbordamento do vírus de humanos para primatas, sugere que a densidade populacional alterada, resultado da invasão humana nos habitats silvestres e a população de macacos infectados estão amplamente relacionadas.
Imagem da Capa – Primata – Foto – Crisbel Solano – Pexels






