Ao longo de milhões de anos a Terra já vivenciou inúmeras transformações de natureza geofísica, geoquímica e climática.
Apesar de todas as intensas mudanças por que já passou, o planeta permanece habitável, desde que as condições para o surgimento, desenvolvimento e evolução da vida se formaram.
A Terra, desde então, sempre tem contado com uma maneira de evitar extremos que pudessem torná-la absolutamente inóspita, isto é, sem condições para o seguimento da vida.
Haveria um mecanismo natural de autorregulação que lhe permite essa capacidade?
Estudo recente, publicado na Revista Proceedings of the National Academy of Sciences, trouxe evidências que podem elucidar essa habilidade do planeta em se tornar resiliente aos inúmeros cataclismos e mudanças climáticas por que já passou.
Pesquisadores da Universidade de Syracuse em parceria com a Universidade de Oxford, Inglaterra, e a Universidade de Copenhague, na Dinamarca, identificaram diversos fatores interconectados envolvidos na regulação do clima do planeta.
Esses fatores são baseados na interação de diversas varáveis ambientais como a alteração do nível do mar, a circulação de nutrientes, especialmente o fosfato, e o sequestro de carbono no fundo dos oceanos.
O estudo liderado por Rosalind E. M. Rickaby, oferece uma nova perspectiva sobre a evolução climática da Terra ao longo do tempo geológico.
Analisando dados em diferentes registros geológicos, os cientistas também avaliaram as taxas de oxigênio preservados em sedimentos marinhos.
A interação entre essas variáveis em escala geológica funciona como um termostato natural regulando a temperatura do planeta, mantendo-o habitável, mesmo diante das numerosas mudanças climáticas que ocorreram nos últimos 60 milhões de anos.

Quando ocorrem mudanças no nível dos oceanos, a água avança ou retrocede na plataforma continental.
Se o nível do mar sobe, uma imensa quantidade de fosfato é lançada para os sedimentos ao longo da costa.
Com menos fosfato no oceano aberto, o crescimento de organismos marinhos responsáveis por retirar o dióxido carbono do ar diminui.
Isso faz com que menos carbono orgânico seja acumulado no fundo marinho, consequentemente uma maior quantidade de dióxido de carbono permanece na atmosfera, favorecendo um clima mais quente.
Entretanto, se o nível do mar diminui, o fosfato fica mais disponível no oceano aberto.
Os organismos marinhos proliferam abundantemente, crescem e quando morrem, o carbono assimilado nos seus corpos afunda e fica soterrado nos sedimentos por milhões de anos.
Esse carbono sequestrado pela atividade dos organismos e armazenado nos sedimentos reduz a quantidade de dióxido de carbono na atmosfera contribuindo para o resfriamento do planeta.
Assim, esse sistema, funciona como um regulador natural, equilibrando o clima da Terra ao longo de extensos períodos por retroalimentação.
O fosfato determina quanto dióxido de carbono é retirado da atmosfera e armazenado no fundo dos oceanos pela atividade da vida marinha.
Segundo os pesquisadores, o maior armazenamento de carbono ocorreu quando o nível do mar permaneceu entre 10 e 40 metros acima do atual, mostrando que as evidências corroboram o funcionamento mecanismo estudado.
Imagem da capa – Oceano – Pexels





