Uma organização não governamental do Reino Unido denunciou que madeira de origem suspeita, possivelmente derivados de uma concessão florestal alvo de investigações da Amazônia brasileira continua chegando ao mercado europeu.
A madeira irregular estaria sendo massivamente utilizada em obras e projetos de construção – Noticiou O Globo.
São milhares de metros cúbicos de madeira chegando à Europa e sendo empregadas em trabalhos de infraestrutura e paisagismo, incluindo decks instalados na Holanda.
O caso “evidencia fragilidades nos sistemas de certificação e nos mecanismos de controle das cadeias globais de fornecimento de madeira” – diz a ONG britânica Earthsight.
Segundo aponta o relatório publicado na segunda-feira, 22/6, a madeira foi fornecida pela Samise Indústria, Comércio e Exportação Ltda – Diz reportagem do Infomoney.
A empresa paraense “acumula multas, suspensões operacionais e uma condenação criminal” – Diz o estudo da Earthsight.
Conforme a investigação divulgada pela ONG, o material pode ter sido extraído de forma irregular.
A madeira pode ter sido cortada em áreas da floresta amazônica e exportada com documentação considerada questionável, permitindo sua entrada em países da União Europeia.
O relatório da organização sustenta que falhas nos sistemas de fiscalização e rastreabilidade favorecem a comercialização do produto no exterior.
A ONG ressalta ter identificado um fluxo contínuo de madeira proveniente da Amazônia brasileira para empresas europeias. Mesmo diante da legislação que proíbe a importação de produtos associados ao desmatamento ilegal.
A investigação também aponta que documentos utilizados para comprovar a origem da madeira podem ter sido manipulados para “legalizar” cargas provenientes de áreas onde a exploração florestal não era autorizada.
Na avaliação da organização, esse tipo de fraude dificulta o combate ao comércio ilegal e compromete os mecanismos de controle ambiental.
Especialistas citados no relatório intitulado “Cuidado onde você pisa! O deck holandês construído com madeira suspeita da Amazônia”, defendem o fortalecimento da fiscalização tanto no Brasil quanto na Europa.
Além disso indicam a necessidade de adoção de sistemas mais eficientes para garantir a rastreabilidade da madeira desde sua extração até o consumidor final.
A entidade também pede que importadores europeus ampliem a vigilância sobre os processos de verificação antes de adquirir produtos florestais oriundos da Amazônia.
A denúncia reacende o debate sobre o comércio internacional de madeira amazônica e os desafios para impedir que produtos de origem ilegal ingressem em mercados considerados rigorosos em relação às normas ambientais.
O caso também coloca em evidência a necessidade de cooperação entre governos, órgãos fiscalizadores e empresas para reforçar o combate ao desmatamento e às fraudes na cadeia produtiva da madeira.
Imagem da capa – Desmatamento – Imagem – Pexels






