Febre Amarela

A febre amarela é uma doença em que o agente etiológico, ou seja o organismo causador é um vírus que está normalmente depositado em áreas de bosques naturais.

A Febre Amarela é assim, uma arbovirose originalmente silvestre. O contágio humano ocorria devido a fatores relacionados com a presença de pessoas em áreas florestais ou em sua proximidade.

Nessas ocasiões acontecia a picada do mosquito transmissor transformando pessoas em portadoras e potenciais disseminadoras da doença.

Com os desequilíbrios ambientais provocados pelos seres humanos, a doença atinge áreas urbanas infectando as pessoas de forma grave.

A urbanização e disseminação do vírus da Febre Amarela conta então com um vetor completamente ambientado com as populações humanas, o mosquito Aedes aegypti.

O Aedes aegypti um inseto cosmopolita e sinantropo, isto é, com adaptações que o fazem frequentar habitações humanas com enorme facilidade, passou a ser um vetor da Febre Amarela, ao picar pessoas portadoras do vírus, espalhando com rapidez a doença.

A forma silvestre da Febre Amarela é transmitida por espécies de mosquitos do Gênero Haemagogus, como Haemagogus leucocelaenus e Haemagogus capricornii entre outros e pelas espécies do Gênero Sabethe, que engloba indivíduos essencialmente zoófilos.

Essas espécies são acrodendrofílicas isso é vivem habitats arbóreos em copas de árvores altas onde põem seus ovos em troncos ocos ou em folhas de bromélias.

Eles picam ao nível das copas, nos diversos extratos arbóreos principalmente, mas também ao nível do solo.

Além do Aedes aegipti as espécies Aedes fluvialis e Aedes albopctus podem ser zoofílicas e antropofílicas podendo responder assim pela transmissão da Febre Amarela tanto em áreas silvestres como em áreas urbanas.

O desmatamento, as mudanças climáticas e as condições urbanas que favorecem a disseminação do mosquito tornam a Febre Amarela um flagelo para as populações humanas em determinadas épocas principalmente no verão.

A Febre Amarela mata. É preciso vacinar e tomar providências para eliminar os focos de mosquitos e seus potenciais criadouros como forma preventiva para evitar os surtos epidêmicos desta enfermidade e de outras que tem como vetor o mesmo mosquito.

Portanto, além das precauções relativas ao controle do mosquito vetor do vírus da Febre Amarela, a COBERTURA VACINAL é de PRIMORDIAL importância para evitar a contaminação.

Mas é necessário sempre, uma atenção e uma conscientização das sociedades humanas com relação à saúde ambiental, pois que desequilíbrios principalmente aqueles de grandes magnitudes podem afetar os mecanismos naturais de controle ecológico que podem fazer determinados organismos se desenvolverem de forma desordenada.

Mosquitos são insetos da Ordem Diptera, Sub Ordem Nematocera, Família Cullicidae que inclui várias sub Famílias, Gêneros e Espécies.

Mosquitos surgiram na Terra cerca de 30 – 54 milhões de anos atrás, sendo os fósseis mais importantes datados do Oligoceno.

Os diptera, possuem um par de asas funcionais (Dípteros), com origem no mesotórax.

Um par de balancins ou alteres constituem asas vestigiais atrofiadas de origem metatoráxica.

As asas possuem células diferenciadas, importantes para a classificação.

Os mosquitos não possuem oocelos como outros dipteros. Possuem antenas longas ( nematoceros ), com mais de seis segmentos, ( 15 a 16 ) sendo pilosas nas fêmeas e plumosas nos machos.

O aparelho bucal picador – sugador – pungitivo é característico apenas das fêmeas por apresentarem hábitos hematofágicos por necessidades nutricionais para fins reprodutivos.

Os machos não são hematófagos e se alimentam de carboidratos. A fonte destes carboidratos, segundo alguns estudos é a secreção açucarada de pulgões, colchonilhas e cigarras depositadas nos vegetais onde eles se alimentam.

As fêmeas além da hematofagia, também se alimentam das mesmas substâncias que os machos pois sua fonte energética também é constituída de açúcares.

A atração dos mosquitos pelos hospedeiros vertebrados ocorre através da combinação de uma série de estímulos de ordem olfativa (ácido lático, CO²), percepção visual (silhuetas), e correntes de ar além da temperatura e umidade.

Além da Febre Amarela, os mosquitos podem transmitir ainda a Febre Zica, o dengue e o Chikungunya.

Bibliografia

NEVES, Davi Pereira et al. Parasitologia Humana. 11ª ed. São Paulo. Atheneu, 2005. 494 p.

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Jefferson Alvarenga

Jefferson Alvarenga é criador e editor do Site Biota do Futuro. Biólogo, Pós Graduado em Gestão da Saúde Ambiental e em Imunologia e Microbiologia. Apaixonado por educação, pesquisa e por divulgação científica.

Como citar este conteúdo: ALVARENGA, Jefferson. Febre Amarela. Biota do Futuro. Betim, 26 de janeiro de 2018. Disponível em: https://www.biotadofuturo.com.br/febre-amarela/. Acesso em 02/05/2026 às 05:16 h.

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