Cidades sustentáveis

0
62
Cidades sustentáveis

As cidades são ambientes modificados pelas atividades antropogênicas, ou seja, aquelas realizadas pelos seres humanos para a consecução de seus objetivos de vida como espécie gregária e social.

O planeta Terra compreende a biosfera, o lugar onde acontece a vida. A biosfera é sustentada por processos físicos, químicos, climáticos, geológicos e biológicos.

A biosfera da Terra é o resultado da ação dos componentes das diversas biotas, a parte orgânica e viva dos sistemas naturais, que sofreram influências das condições físicas e químicas do ambiente desde os seus primórdios e passaram por adaptações.

O trabalho da biota alterou o ambiente melhorando as condições de sobrevivência ao longo do tempo geológico, proporcionando a evolução da vida cada vez mais complexa, até a estabilização para um equilíbrio dinâmico natural ou homeostase em todos os níveis de organização. A vida pode ser entendida como uma teia, que se expande e se interconecta.

A noosfera ( NOOS = MENTE ) é a parte da biosfera que envolve o domínio da mente humana.

A noosfera, a sociedade humana, causa impacto na biosfera, modificando suas condições naturais, alterando sobremaneira, desde o seu estabelecimento na superfície e de forma rápida, o resultado da evolução lenta e gradual ocorrida durante bilhões de anos.

Será que os componentes da noosfera, representados pelo elemento humano, terão a capacidade de salvaguardar o patrimônio natural de forma a manter as condições ideais para a sua própria permanência no planeta bem como das demais espécies que o habitam?

Os seres humanos, ao ocuparem regiões específicas, tendem entre outras providências que visam ao seu conforto, a realização de trabalhos de urbanização e desenvolvimento de infra estrutura nas cidades que constroem.

Mas o desenvolvimento urbano não precisa ser descontrolado, podendo ser planejado de forma a ser realizado com o menor impacto possível.

O que é desenvolvimento urbano de baixo impacto? É um conceito que visa ao uso do meio ambiente urbano de forma planejada, contemplando o controle da erosão, a permeabilidade do solo, incentivando a reservação e a reutilização das águas pluviais nos próprios logradouros, favorecendo a infiltração e manutenção de áreas verdes.

A idéia central é a preservação do ciclo hidrológico natural, evitando possíveis impactos de escoamentos indesejáveis por causa das alterações impermeabilizantes do solo, em função do desenvolvimento urbano.

Os códigos de obras e posturas têm dado especial atenção à inclusão nos projetos de edificações de áreas de permeabilidade e pavimentos permeáveis.

É de vital importância a preservação das condições naturais de áreas ribeirinhas aos corpos d’água como córregos, rios e várzeas úmidas, visando à manutenção do seu importante papel no ciclo da água no ambiente como absorvedores, como condutores e acumuladores naturais e como contribuintes na evaporação.

Qualquer alteração antrópica que ocorre nestas condições naturais gera desequilíbrio e pode provocar inundações com perdas humanas, materiais e de outros organismos.

A enchente é um fenômeno natural, decorrente de condições pluviométricas anormais cíclicas de repetição váriável ao longo dos tempos e de ocorrência inesperada, provocando a cheia ou o transbordo do curso natural dos corpos d’água superficiais.

Inundação é consequência da ocupação descontrolada com a urbanização sem planejamento ao longo dos leitos dos cursos d’água, e desrespeito à dinâmica hidrológica dos locais onde se instalam as aglomerações humanas.

O transbordo dos corpos d’água naturais ocorre de forma agravada, mesmo com uma carga pluviométrica que seria menos impactante, uma vez que as alterações humanas interferem no equilíbrio ambiental.

As cidades precisam resolver também a questão da coleta e destinação dos resíduos e dejetos que produzem, bem como a questão do suprimento energético e dos serviços ambientais necessários à sua sustentação.

Os serviços ambientais dos quais as cidades dependem para a sobrevivência e o bem estar de seus habitantes tem a ver com a alimentação, o fornecimento de água, de matéria prima, e de condições climáticas favoráveis.

O uso de recursos naturais precisa ocorrer de forma equilibrada, visando a garantir o suprimento das necessidades das gerações do presente, sem deixar de garantir que tais recursos estejam disponíveis também para as gerações do futuro.

Com isso, as comunidades humanas vivem o dilema do paradigma atual, onde as ações de produção e consumo têm retirado mais do meio ambiente do que ele é capaz de repor em sua capacidade de resiliência e com uma rapidez espantosa.

Desde o surgimento do homo sapiens na Terra, mais alterações se verificaram na sua superfície do que todas aquelas provocadas pelos cataclismos e desastres naturais que impactaram o meio ambiente de forma natural.

Além disso, mais espécies foram extintas do que todos os acontecimentos que levaram à perda de plantas e animais de forma natural durante o curso de todas as eras geológicas e as transformações que nelas ocorreram e no decorrer do tempo de formação do planeta e estabelecimento da vida.

É preciso repensar as ações humanas no planeta, de forma que seja coerente com uma postura mais respeitosa com os sistemas naturais e os processos que sustentam a vida, sob pena de exaurir sua capacidade de suporte, comprometendo a existência de todas as criaturas que habitam o globo, inclusive os humanos.

Bibliografia

RICKLEFS, Robert E. A Economia da Natureza. 5ª ed. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 2009. 503 p.

TRIGUEIRO, André. Mundo Sustentável 2. São Paulo. Globo, 2012. 399 p.

ODUM, Eugene P. Ecologia. Rio de Janeiro. Guanabara Koogan S.A, 1988. 434 p.

ONDE PESQUISAMOS – Clique e saiba. Todos os direitos reservados – © Copyright 2015/2017 – Biota do Futuro.

Deixe uma resposta