Nos últimos anos facções criminosas têm avançado sobre Amazônia, levando os crimes ambientais a se tornarem atividades estratégicas em seus campos de ações.
O garimpo ilegal, a extração clandestina de madeira, a grilagem de terras e o tráfico de animais silvestres passaram lamentavelmente a integrar a estrutura financeira de grupos como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo levantamento do relatório Cartografias da Violência na Amazônia 2025, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, essas organizações passaram a ver a exploração ilegal dos recursos naturais como uma fonte relevante de receita.
Mais um instrumento para lavagem de dinheiro e fortalecimento territorial. O poder do crime invadindo todos os campos da sociedade brasileira.
A pesquisa identificou pelo menos três municípios do sul do Amazonas — Humaitá, Lábrea e Manicoré — onde a presença de facções associadas a crimes ambientais já é considerada significativamente perigosa.
O cenário preocupa autoridades e pesquisadores devido ao aumento dos conflitos, colocando em vulnerabilidade áreas ocupadas por comunidades tradicionais e povos indígenas.
De acordo com a pesquisadora sênior do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Ariadne Natal, as facções chegaram inicialmente à região interessadas em controlar rotas ligadas ao tráfico de drogas – Noticiou o Portal G1.
Com o tempo, passaram a explorar outras atividades ilícitas altamente lucrativas, como o garimpo ilegal, que também facilita a ocultação e a circulação de recursos obtidos com o narcotráfico.
A redução da capacidade de fiscalização ambiental e de proteção dos territórios indígenas ao longo dos últimos anos contribuiu para a expansão dessas organizações – avaliam especialistas.
Além de atuarem diretamente em atividades ilegais, os grupos também passaram a cobrar taxas e exercer controle sobre operações criminosas realizadas em áreas sob sua influência.
A gigantesca dimensão territorial do Amazonas é um importante fator que favorece a atuação das facções na região.
A dificuldade do Estado em manter presença efetiva em áreas remotas da do país favorece a consolidação dessas redes criminosas onde menos se esperava.
A extensa malha hidrográfica, combinada à presença de pistas clandestinas em regiões remotas da floresta, cria condições favoráveis para a integração entre tráfico de drogas e crimes ambientais.
Para o delegado da Polícia Federal Rafael Grummt, responsável pela área ambiental da corporação no estado, o enfrentamento desse modelo de atuação exige ações coordenadas entre diferentes órgãos de segurança e fiscalização.
Ele destaca que as facções já não se limitam ao narcotráfico e passaram a provocar prejuízos bilionários ao patrimônio ambiental brasileiro.
O coronel Francisco Xavier, integrante do Instituto Brasileiro de Segurança Pública, afirma que a estratégia das organizações criminosas busca diversificar fontes de renda.
Os criminosos utilizam áreas de garimpo como refúgio para foragidos da justiça e ao mesmo tempo, compartilham a mesma infraestrutura logística para o transporte de drogas, ouro, madeira e armas.
As consequências atingem diretamente populações indígenas e ribeirinhas, que convivem com impactos ambientais severos, incluindo a contaminação de rios e peixes pelo uso de mercúrio em atividades de mineração ilegal.
A presença das facções agora também atormenta e coloca em risco os cidadãos de bem das regiões remotas do Brasil como o faz nos grandes centros do país, afetando efetivamente a soberania da nação. Onde o poder público afrouxa o império do crime prevalece.
Enquanto as autoridades tentam reforçar operações de combate ao desmatamento, às queimadas e à exploração ilegal de recursos naturais, o país fica em alerta.
O enfrentamento das facções na Amazônia depende não apenas de ações policiais, mas também do fortalecimento permanente da fiscalização ambiental e da presença do Estado na região.





