Um fenômeno inédito registrado recentemente sugere que as florestas interagem ativamente com a dinâmica atmosférica durante eventos climáticos intensos.
Quando atravessadas por campos elétricos gerados por tempestades, as copas das árvores emitem diminutas descargas eletromagnéticas.
Invisíveis ao olho humano, as descargas foram registradas diretamente na natureza, captadas por câmeras especiais sensíveis à luz ultravioleta.
São breves lampejos luminosos formando CORONAS ELÉTRICAS, pequenas faíscas observadas ao redor das folhas e galhos mais altos das árvores.
Se pudessem serem vistas, as coronas provavelmente pareceriam um show de luzes, como se milhares de vaga-lumes estivessem dançando sobre o topo das folhas.
O estudo publicado na Revista Geophysical Research Letters, demonsntrou que as descargas observadas sobre o dossel arbóreo, acontecem quando nuvens com cargas negativas, induzem cargas positivas no solo.
Cargas opostas se atraem, ocasionando campos ionizados nas extremidades vegetação, pois a carga positiva no solo tenta se aproximar das cargas negativas produzidas pelas nuvens, subindo até o ponto mais alto que pode alcançar.
As cargas se concentram nas pontas das folhas, local onde criam campos elétricos que excitam os átomos das moléculas do ar no seu entorno.
À medida que as moléculas do ar retornam a um estado de menor energia, elas liberam flashes de ondas UV.
Segundo a Smithsonian Magazine, “por décadas, os cientistas suspeitaram que as copas das árvores poderiam produzir explosões elétricas durante tempestades devido a anomalias de campo elétrico detectadas nas florestas através de medição”.
Agora, o fenômeno foi efetivamente observado sob condições reais, com o uso de sensores atmosféricos, detectores de campo elétrico e uma câmera UV instalada no teto de um veículo tipo minivan.
No verão de 2024, durante uma tempestade na Carolina do Norte, foram identificados 859 sinais ultravioletas, agrupados em dezenas de eventos de corona elétrica, que surgiam e desapareciam rapidamente, saltando entre folhas e galhos – noticiou Um só Planeta.
Em aproximadamente 90 minutos de observação, os resultados levaram os cientistas a inferirem que possivelmente as manifestações sejam mais comuns que as captadas, uma vez que o equipamento usado, foi calibrado para se tornar sensível a uma faixa restrita e bem estreita do espectro analisado.
As coronas elétricas podem queimar as extremidades das folhas em poucos segundos em ensaios de laboratório.
Na natureza, o impacto do fenômeno sobre a saúde das árvores ainda é incerto.
Existem hipóteses de efeitos associados à desidratação e estresse solar após tempestades extremas.
“Estudos na década de 1960, revelaram que os fluxos de corrente nas árvores quebravam as membranas celulares e destruíam os cloroplastos que as árvores usam para fotossíntese” – informou em comunicado, Patrick McFarland, da Universidade Estadual da Pensilvânia, e um dos autores da pesquisa.
Porém, os pesquisadores entendem que florestas possam ter desenvolvido mecanismos naturais de adaptação que as protegem.
Por outro lado, as descargas elétricas produzem moléculas altamente reativas ao interagirem com compostos voláteis produzidos pelas plantas e outros elementos da atmosfera, as quais podem influenciar a química do ar, com a formação de poluentes secundários sobre as florestas.
Assim, chuvas extremas, intensificadas por mudanças climáticas, podem exercer um papel ainda pouco compreendido na qualidade do ar sobre regiões florestais.
Imagem da Capa – Coronas Elétricas – Foto William Brune – Por Smithsonian Magazine – Reprodução







