Maria – farinha, o caranguejo da “cara quadrada”


O carinha simpático da foto é um Crustáceo, da Ordem Ocypode. É o caranguejo conhecido como maria-farinha. Esta Espécie, Ocypode quadrata, é um organismo bioindicador, ou seja ele é muito sensível às alterações do meio ambiente, principalmente aquelas de origem antrópica.

Por isso pode ser usado como ferramenta para análise de impactos ambientais, indicando a qualidade das condições naturais onde é encontrado. Possui carapaça na forma de um quadrado, daí o nome da espécie.

Conhecido popularmente também como caranguejo-fantasma, vasa-maré, guaruça, guriça, maruim, sarará e siripidoca, esse caranguejo tem olhos bem desenvolvidos e a sua coloração em tons de areia, é uma tática de defesa contra os predadores através do mecanismo da camuflagem.

Esse animal é detritívoro, se alimentando de detritos de organismos mortos, e também de bivalves. A reprodução tem o período mais provável entre a primavera e o início do verão mostrando uma relação marcante entre o período reprodutivo e a temperatura ambiente.

O maria-farinha é um decapoda, ou seja possui 10 patas, distribuídas em cinco pares, as quais utiliza em sua grande habilidade para correr. As duas pinças frontais são usadas para cavar, se defender e pegar seu alimento.

Caranguejo Maria- farinha. Foto: Anderson Parizi – Gentilmente cedida ao Site Biota do Futuro.

É muito arisco e ágil, corre de lado, possui comportamento agressivo, constrói suas tocas na areia a partir da linha da maré mais alta até a linha mais baixa da água. As tocas podem alcançar mais de um metro de profundidade, estando geralmente inclinadas, e em forma de “J”.

Apresentam dimorfismo sexual que pode ser facilmente distinguido através da observação do abdômen, que fica dobrado sobre a porção ventral da carapaça. As Fêmeas possuem o abdômen largo, onde incubam seus ovos. Nos machos, o abdômen é estreito.



O nome do Gênero, Ocypode vem do grego ōkypous onde ōkys significa “ágil” e pous significa “pés”. Como todos os artrópodes, esses crustáceos realizam a troca periódica do seu exoesqueleto de quitina, impulsionado pelo hormônio denominado equidsona, abandonando a carapaça antiga denominada exúvia para trás. Podem viver até três anos.

Respiram bem fora da água, através de brânquias internas adaptadas à respiração aérea, mas que precisam serem hidratadas periodicamente. Habitam praias arenosas ao longo de todo o litoral brasileiro sob condições ambientais saudáveis.

O autor: Jefferson Alvarenga é Biólogo, Pós Graduado em Gestão da Saúde Ambiental.

Bibliografia

MESQUITA, Paula. Caranguejos maria-farinha apresentam potencial como indicadores ambientais. Aun USP [S.I]. São Paulo, 2015.

Visualizado em: http://www.usp.br/aun/antigo/exibir?id=6797&ed=1187&f=27

Planeta Invertebrados [S.I]. Espécies. Maria-farinha. Brasil, 2019.

Visualizado em: http://www.planetainvertebrados.com.br/index.asp?pagina=especies_ver&id_categoria=25&id_subcategoria=24&com=1&id=231&local=2

* O conteúdo do site é produzido a partir de fatos concretos e de conhecimento baseado em evidências. Novas informações e ou avanços da ciência podem ensejar atualizações e aprimoramentos. Encontrou algum equívoco? Reporte-nos! *
Foto de Jefferson Alvarenga

Jefferson Alvarenga

Jefferson Alvarenga é criador e editor do Site Biota do Futuro. Biólogo, Pós Graduado em Gestão da Saúde Ambiental e em Imunologia e Microbiologia. Apaixonado por educação, pesquisa e por divulgação científica.

Como citar este conteúdo: ALVARENGA, Jefferson. Maria – farinha, o caranguejo da “cara quadrada”. Biota do Futuro. Betim, 25 de março de 2019. Disponível em: https://www.biotadofuturo.com.br/maria-farinha-o-caranguejo-da-cara-quadrada/. Acesso em 30/01/2026 às 14:33 h.

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