Mamíferos peçonhentos, existem?

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Por incrível que pareça, a resposta é sim. Embora raros, cinco espécies da Classe Mammalia, a classe dos mamíferos, apresentam essa condição espécífica de serem peçonhentos.

Na natureza existem diversos grupos de plantas e animais que podem ser venenosos e especificamente muitos animais são também peçonhentos. Entretanto as duas características são bem distintas, ou seja, diferentes uma da outra.

Para ser peçonhento um determinado organismo vivo precisa obrigatoriamente produzir proteínas altamente tóxicas através de estruturas especializadas que podem ser glândulas ou um grupo de células e concomitantemente possuir um mecanismo que os permita introduzir de forma ativa a substância tóxica em um alvo específico.

Se o organismo produz substância tóxica mas não possui um aparato com o qual possa injetar o veneno em outro, então ele é considerado venenoso, podendo causar danos apenas se algum outro ser vivo de forma deliberada ou acidentalmente o tocar ou ingerir alguma de suas partes contendo as toxinas.

Dentro desses conceitos, uma cobra jararaca é definitivamente peçonhenta e um sapo pode ser potencialmente venenoso. 

Mas voltemos ao caso dos mamíferos especificamente. Nesta classe do Reino Animalia, 4 ordens possuem indivíduos de cinco espécies que produzem e podem introduzir ativamente toxinas em outros organismos podendo causar danos e até mesmo o óbito.

As Ordens Soricomorpha, Monotremata, Chiroptera e Primata possuem representantes que são peçonhentos. Vamos conhecê-los?

Na Ordem Soricomorpha, o almiqui (Solenodon cubanus), nativo de Cuba, e o agouta (Solenodon paradoxus), nativo do Haiti e República Dominicana e o musaranho nativo da Europa e Ásia Central são peçonhentos.

Agouta – Solenodon paradoxus – Foto: Mdig.com

O almiqui e o agouta parecem um rato gigante com nariz comprido. A saliva tóxica é produzida em glândulas submaxilares e injetada no animal alvo através da mordida por meio de dentes incisivos inferiores modificados, contendo sulcos condutores de veneno. 

A saliva venenosa do musaranho não chega a matar mas causa fortes dores. Os musaranhos não possuem nenhuma especialização clara para a condução do veneno nos dentes.

O ornitorrinco (Ornithorhynchus anatinus) é um mamífero esquisito da Ordem Monotremata encontrado na Austrália e na Tasmânia que também é peçonhento. 

Esse animal é dotado de esporões de 1,5 centímetro nas patas traseiras incluindo um canal interno capazes de injetar veneno. Suas toxinas são produzidas por glândulas localizadas nas coxas e só secretada pelos machos.

Ornitorrinco – Foto: CNN Brasil

Na ordem Chiroptera os morcegos-vampiros, três espécies hematófagas, Desmodus rotundus, Diphylla e caudata e Diaemus young são incriminadas como peçonhentas. O aparato inoculador de veneno consiste de dois dentes incisivos modificados e de glândulas submaxilares. 

Esses morcegos usam a língua para pressionar o veneno nas feridas. A substância tóxica possui intensa ação anticoagulante e proteolítica. As vítimas raramente morrem a não ser por uma possível forte reação alérgica.

Entre os primatas os lóris-preguisosos são os representantes peçonhentos dessa Ordem de mamíferos. Eles são encontrados na china, India e Malásia. Três espécies, Nycticebus bengalensis, N. coucang e N. pygmaeus são reconhecidas como peçonhentas. 

A secreção tóxica é produzida em glândulas braquiais localizadas em áreas livres de pelo na região flexora do braço. Quando se sente ameaçado, o lóris lambe a glândula e mistura a secreção com sua saliva. Isso ativa a toxina que é introduzida na vítima através da mordida.

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Jefferson Alvarenga

Jefferson Alvarenga é criador e editor do Site Biota do Futuro. Biólogo, Pós Graduado em Gestão da Saúde Ambiental e em Imunologia e Microbiologia. Apaixonado por educação, pesquisa e por divulgação científica.

Como citar este conteúdo: ALVARENGA, Jefferson. Mamíferos peçonhentos, existem?. Biota do Futuro. Betim, 5 de julho de 2024. Disponível em: https://www.biotadofuturo.com.br/mamiferos-peconhentos-existem/. Acesso em 11/01/2026 às 05:47 h.

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