Os COMUNS segundo Garrett Hardin (1968), são os recursos ambientais como o ar, a água, o solo e os recursos ecossistêmicos de uso compartilhado e comum a todas as espécies e que precisam ser utilizados de forma racional e equilibrada evitando assim, o seu esgotamento ou deterioração, o que seria uma verdadeira tragédia para a vida na Terra.

As sociedades humanas vivem o paradigma do consumismo. Após a revolução industrial, a humanidade vem atuando massivamente na superfície do planeta, alterando dramaticamente as paisagens naturais. Muito mais do que em outras épocas.

Sua ação vem interferindo sobremaneira no meio ambiente global modificando os processos naturais que governam os ecossistemas e causando impactos que desequilibram as delicadas interações que regem a vida a nível de biota e de biosfera.

Os processos industriais de produção em larga escala, a propaganda e o consumo de massa, levam a uma busca desenfreada pelo ter, colocando o ser em segundo plano, introjetando nas sociedades humanas a idéia da felicidade atrelada à posse de bens materiais.

A finalidade disso é atender às demandas de escoamento dos grandes excedentes de produtos obtidos com as modernas tecnologias baseadas nas famosas linhas de produção.

Além disso, os rápidos avanços e descobertas tecnológicas, aumentam continuamente as possibilidades de conforto humano e possibilitam constantemente a criação de novos produtos cada vez mais modernos. Ainda o uso do recurso da obsolescência programada serve para aguçar ainda mais a sanha consumista.

A busca pelo conforto e pela melhoria dos níveis de vida pela humanidade é natural frente às naturais possibilidades oferecidas pelo progresso que é contínuo e inevitável em todas as épocas e em todos os lugares.

Porém, existe a necessidade premente de uma revisão dos atuais conceitos antropocêntricos que coloca o elemento humano deslocado de sua real posição frente ao conjunto dos sistemas naturais do planeta que habita.

O ser humano precisa se desfazer de seu egocentrismo para conhecer que é apenas parte de um universo onde sua importância biológica não é maior nem menor diante do todo.

Então assim compreenderá que sendo dotado de capacidades cognitivas especiais, que o qualificam diante das outras espécies, carrega a enorme responsabilidade de utilizar com parcimônia os recursos dispostos pelo planeta, protegendo-os e protegendo os demais seres que com ele habitam a superfície do globo.

Sob pena de esgotar e deteriorar “os recursos comuns”, água, solo e ar a um ponto que comprometa sua própria existência e a das demais criaturas.

É imperativo evitar urgentemente a tragédia ambiental que, em se abatendo sobre o planeta e seus recursos, demandará um concerto da biosfera que se ainda for possível será muito dispendioso, sofrido e com consequências inesperadas que podem atingir a todos com reflexos mais amplos principalmente para os mais pobres.

Uma sociedade humana ética e responsável buscará soluções holísticas para um desenvolvimento sustentável visando a atender as necessidades das sociedades do presente, sem esquecer de garantir os mesmos direitos para as futuras gerações.

Os recursos estão disponíveis a todos os seres do planeta. Um equilíbrio natural se estabeleceu ao longo de bilhões de anos de evolução. Esse equilíbrio sustenta a vida na Terra. Rompê-lo seria catastrófico. A humanidade pode ter se tornado uma ameaça para o sistema Terra?

É imperioso aceitar que os efeitos das ações descontroladas e inconsequentes dos seres humanos no planeta afetarão em um primeiro momento os sistemas mais frágeis e as comunidades menos favorecidas.

Ao final entretanto, todos sofrerão severamente o resultado da insensatez humana. A biosfera disponibiliza o necessário para a vida equilibrada de todos os seus habitantes. Porém não conseguirá atender aos excessos, pois possui uma capacidade de suporte que não é infinita.

Nenhum política social do terceiro milênio pode ser dissociada de políticas ambientais firmes e protetivas dos ecossistemas e dos recursos comuns, pois caso contrário estará na contramão das possibilidades de permanência e sobrevivência da espécie humana no planeta. “Nós podemos evitar a tragédia dos comuns”.

Bibliografia

RICKLEFS, Robert E. A Economia da Natureza. 5ª ed. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 2009. 503 p.

ODUM, Eugene P. Ecologia. Rio de Janeiro. Guanabara Koogan S.A, 1988. 434 p.

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