Transformações biológicas da energia

O funcionamento da vida depende da obtenção de energia, para a realização das variadas tarefas concretizadas pelas células, tecidos e órgãos dos seres vivos.

A energia luminosa do sol é a fonte primária de energia para a biosfera.

Entretanto somente as plantas e outros organismos fotossintetizantes têm a capacidade de utilizá-la na fabricação de seu próprio alimento pela fotossíntese. São os seres autotróficos.

Já os demais seres, são heterotróficos, isto é dependem das plantas e de outros animais como fonte de alimento para obtenção de energia.

Mas para a realização do metabolismo energético em todos os seres vivos, autotróficos ou heterotróficos, a energia proveniente do sol precisa passar por transformações para ser utilizada pelos organismos.

O carbono e o oxigênio estão intimamente relacionados com o trabalho realizado pela maquinaria dos sistemas orgânicos através das transformações biológicas da energia.

A energia necessária aos processos biológicos está acumulada nas biomoléculas, através das ligações químicas existentes entre os átomos que formam estes compostos, principalmente os átomos de carbono.

O carbono está presente na natureza em duas formas, a forma orgânica e a forma inorgânica.

A forma orgânica compõe as biomoléculas dos organismos vivos. A forma inorgânica está dissolvida na atmosfera, na água e nas rochas.

A forma orgânica é a forma reduzida e a forma inorgânica é a forma oxidada.

As transformações biológicas da energia envolvem dois processos, a OXIDAÇÃO do carbono orgânico através da RESPIRAÇÃO CELULAR e a REDUÇÃO do carbono inorgânico através DA FOTOSSÍNTESE.

A OXIDAÇÃO do carbono orgânico se realiza com o rompimento das ligações químicas que armazenam energia, liberando-a para utilização pelas plantas e animais através da respiração celular.

Na respiração celular, oxigênio é assimilado nos processos metabólicos e os compostos de carbono são oxidados a dióxido de carbono que é liberado para o ambiente.

Durante o processo, moléculas energéticas são produzidas para utilização nos processos vitais.

Na oxidação do carbono orgânico durante a respiração celular o oxigênio é reduzido combinando-se com íons hidrogênio formando água.

Já a REDUÇÃO do carbono inorgânico envolve o armazenamento de energia através das ligações químicas realizadas durante a síntese de biomoléculas no processo de fotossíntese.

Na fotossíntese o carbono inorgânico dissolvido na atmosfera ou na água é assimilado pelos organismos fotossintetizantes que constroem ou sintetizam com ele moléculas orgânicas de carboidratos armazenadoras de energia através de reações químicas ativadas pela energia luminosa do sol em conjunto com a água e elementos inorgânicos do solo.

Durante a redução do carbono inorgânico, o oxigênio das moléculas de água é oxidado, sendo liberado em sua forma molecular para a atmosfera.

A redução acumula energia durante a fotossíntese e a oxidação libera energia durante a respiração celular.

A água entra nos organismos fotossintetizantes  de duas formas.

Em uma delas, durante a respiração celular o oxigênio é reduzido e se combina com o hidrogênio ao final da cadeia respiratória formando água que é eliminada para a atmosfera ou reutilizada na fotossíntese.

A outra forma é através do processo de obtenção de água do solo, atividade vital para a realização da fotossíntese.

Nesse processo a água absorvida do solo sobe até as folhas. Essa subida se dá através de dois mecanismos.

Pela ascensão capilar devido às propriedades de adesão e coesão entre suas moléculas e os vasos condutores da planta.

E pelo gradiente hidráulico provocado pela maior concentração desse líquido na planta do que na atmosfera o que termina por bombeá-lo para o meio externo, provocando a sua evaporação. Parte dela no entanto é utilizada na fotossíntese.

Já a liberação de oxigênio ocorre pela oxidação da água através do rompimento das ligações químicas entre ele e o hidrogênio no processo chamado FOTÓLISE da água durante a fotossíntese.

Nesse processo a energia da luz solar é captada pelos pigmentos fotossintéticos em faixas de onda específicas nos cloroplastos.

A energia luminosa captada excita os elétrons da clorofila que são transferidos para moléculas aceptoras envolvidas no processo geral da fotossíntese.

Ao perder elétrons a clorofila recupera elétrons das moléculas de água o que torna as suas ligações frágeis e terminam por se decompor em íons H+ e átomos de oxigênio livres que se unem aos pares para formar o gás oxigênio, O2.

É bom entender bem que os organismos fotossintetizantes também utilizam oxigênio durante a respiração celular como os seres heterotróficos. Eles também necessitam em seus processos vitais da energia armazenada nos carboidratos.

No entanto eles produzem mais oxigênio liberando-o para a atmosfera durante a fotossíntese do que assimilam este elemento durante o seu metabolismo energético através da respiração celular.

Da mesma forma, os seres autotróficos também liberam dióxido de carbono para a atmosfera, durante a respiração celular. Mas em taxas bem menores do que aquelas absorvidas durante a fotossíntese.

Finalmente é necessário compreender que o CO2 entra nas plantas porque existe uma concentração deste gás bem maior na atmosfera do que nas células destes organismos onde é incessantemente consumido na fotossíntese.

Também é bom realçar que as plantas evaporam cerca de 500 gramas de água através de suas folhas para cada um grama de carbono assimilado.

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Jefferson Alvarenga

Jefferson Alvarenga é criador e editor do Site Biota do Futuro. Biólogo, Pós Graduado em Gestão da Saúde Ambiental e em Imunologia e Microbiologia. Apaixonado por educação, pesquisa e por divulgação científica.

Como citar este conteúdo: ALVARENGA, Jefferson. Transformações biológicas da energia. Biota do Futuro. Betim, 19 de janeiro de 2016. Disponível em: https://www.biotadofuturo.com.br/transformacoes-biologicas-da-energia/. Acesso em 06/03/2026 às 01:20 h.

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