Crimes ambientais, quem paga a conta é sempre o povo.

O desastre ambiental ocorrido pelo rompimento das duas barragens de rejeito provenientes da atividade mineradora de responsabilidade da SAMARCO, da VALE e associadas, configura-se já como o maior CRIME AMBIENTAL no Brasil em todos os tempos.

Tratar um acontecimento dessa magnitude, como acidente é brincar com a inteligência de todos os brasileiros. Principalmente à medida que os fatos vão vindo à tona e questionamentos não são respondidos ou explicados.

As entrevistas e os esclarecimentos das empresas e das autoridades governamentais são simplesmente risíveis.

O momento é crítico. O tamanho do PASSIVO AMBIENTAL gerado é descomunal. Fora os enormes prejuízos de ordem social.

O problema não é mais regional e tomou aspectos e viés de proporções nacionais, visto que os impactos ambientais ultrapassaram em muito as fronteiras das Minas Gerais.

Aliás, Minas Gerais historicamente é um dos mais espoliados pelas atividades mineradoras desde os tempos do Brasil colônia.

Os benefícios das riquezas produzidas nesta unidade federativa nem de longe são revertidos corretamente para a melhoria da sociedade  e muito menos para programas e projetos sérios de recomposição e preservação das áreas degradadas e ações de biologia da conservação.

Onde a presença do Estado como representante do POVO e não só do PODER ECONÔMICO e que deveria fiscalizar todos os dias as atividades das mineradoras?

Como se constrói várias barragens de rejeitos à MONTANTE de vários distritos históricos habitados mais abaixo?

Mas os investimentos com tubulações ou outras estruturas de engenharia para levar esses rejeitos para mais longe em um ponto mais baixo e menos perigoso social e ambientalmente é muito caro!

As mineradoras não podem pagar. Então que pague o POVO com as consequências deste triste desastre.

Alás, as interferências humanas são de toda ordem no meio ambiente. A exploração e utilização dos recursos naturais como é praticado hoje não é nada democrática.

O resultado do conforto que a ciência e a tecnologia podem proporcionar atinge alguns poucos com poder econômico. Os pobres estão sempre excluídos. Mas os passivos, os prejuízos ao meio ambiente provenientes da sociedade tecnológica de consumo, atinge a maioria, os pobres. O mais abastados sofrem muito menos.

As atividades de extração e beneficiamento do minério de ferro envolvem tratamento com PRODUTOS QUÍMICOS reativos, tóxicos,  BIO ACUMULADORES perigosíssimos e ÁGUA. Muita água.

As mineradoras será que possuem sistemas de REUSO de água? Será? E as contaminações dos lençóis subterrâneos? Será que os nossos rios e reservatórios naturais de água  não estão indo embora “ralo abaixo” junto com toda a biodiversidade atingida e degradada?

Será que a população não está bebendo água contaminada com arsênico, chumbo, mercúrio, cádmio e outros metais pesados e altamente tóxicos que podem estar atingindo os aquíferos há mais tempo?

Por que a empresa mineradora não possui um sistema de alarme que FUNCIONE e planos de ações emergenciais com treinamento de evacuação da população em caso de mínimo  problema?

Cadê as ações de MINITORAMENTO AMBIENTAL que deveriam ser realizadas constantemente pelas empresas com acompanhamento dos órgãos do Governo de Minas de fiscalização e controle? Alguém pode apresentar esses relatórios? E o resgate de flora e de fauna, porque não foi implementado?

E o CREA? Esse órgão não deveria estar a par e agindo seriamente em relação aos problemas estruturais das barragens que segundo consta já haviam sido detectados? Será que o CREA foi comunicado, para providenciar acompanhamento e soluções de engenharia para o caso?

É sabido que as LICENÇAS DE OPERAÇÃO das atividades das duas barragens estavam vencidas desde 2013. Por que continuava a operar ilegalmente? Quem responde por isso?

Será que o transbordo da barragem mais acima não provocou sobre carga em todo o maciço mais abaixo? Quem estava acompanhando isso? Havia escavações em curso mais abaixo na barragem. Será que não provocaram um alívio de tensões no terreno, contribuindo como um dos fatores conjugados que geraram o problema?

Quem é o responsável por verificar a viabilidade e a segurança dos diversos trabalhos que se realizam ao mesmo tempo na lavra e beneficiamento e que podem resultar num evento em cascata de proporções catastróficas como esse?

Por que todos os  dados não são colocados de forma escancarada e responsável para o povo de Minas e do Brasil?

Parte da imprensa também não consegue ser independente, por albergar muitos interesses em comum com os envolvidos. O que se vê é claramente informações contraditórias e uma tendência em  esconder a sujeira debaixo do tapete.

Os interesse sociais e ambientais ficam relegados a último plano. Cada um quer salvar a própria pele. Colocar os fatos às claras como realmente são implica em apontar responsabilidades. E quem vai assumi-las depois de tanta negligência? Com tanto interesse em jogo quem vai ligar para os interesses do povo?

Ao que sabemos e sentimos na pele, o custo de todas as irresponsabilidades cometidas ao longo da história deste país quem sempre paga a conta é o povo! Para onde correr desse lamaçal de incompetência?

* O conteúdo do site é produzido a partir de fatos concretos e de conhecimento baseado em evidências. Novas informações e ou avanços da ciência podem ensejar atualizações e aprimoramentos. Encontrou algum equívoco? Reporte-nos! *
Foto de Jefferson Alvarenga

Jefferson Alvarenga

Jefferson Alvarenga é criador e editor do Site Biota do Futuro. Biólogo, Pós Graduado em Gestão da Saúde Ambiental e em Imunologia e Microbiologia. Apaixonado por educação, pesquisa e por divulgação científica.

Como citar este conteúdo: ALVARENGA, Jefferson. Crimes ambientais, quem paga a conta é sempre o povo.. Biota do Futuro. Betim, 15 de novembro de 2015. Disponível em: https://www.biotadofuturo.com.br/crimes-ambientais-quem-paga-a-conta-e-sempre-o-povo/. Acesso em 06/03/2026 às 01:22 h.

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