Três cientistas, 2 alemães e um norte americano foram laureados na segunda-feira, dia 5/10, com o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia, por suas descobertas relacionadas a canais iônicos ativados pela luz, que permitiram o desenvolvimento da optogenética.
A descoberta tem o potencial de revelar mistérios do cérebro “de uma forma com a qual antes só podíamos sonhar”, afirmou Per Svenningsson, presidente do Comité Nobel da Fisiologia ou Medicina, em comunicado de imprensa.
O anúncio dos agraciados foi feito pela Assembleia Nobel do Instituto Karolinska, em Estocolmo, na Suécia.
A optogenética é um método que permite demonstrar como as células nervosas moldam as memórias, os sentimentos e os comportamentos no cérebro vivo. Uma nova era na neurociência. A técnica usa a luz para ativar ou desativar células nervosas específicas, como um interruptor.
Como aconteceram as descobertas
Nos anos 1990, Hegemann investigava como a alga unicelular Chlamydomonas reagia tão rapidamente à luz.
Em associação com Nagel, Hagemann identificou naquelas algas, proteínas chamadas canalrodopsinas, capazes de abrir canais na superfície das células quando iluminadas, produzindo sinais elétricos.
Em 2005, Deisseroth e seu grupo demonstrou que a canalrodopsina-2 podia ser introduzida em neurônios e ativada com luz azul. No ano seguinte, o método recebeu o nome de optogenética.
Em 2007, controlando células nervosas do cérebro em camundongos vivos por meio de uma fibra óptica, foi possível investigar, com precisão inédita, os circuitos responsáveis por movimentos, sono, dor, fome, recompensa, atenção e comportamentos sociais.
Deisseroth e Susumu Tonegawa, em 2012, conseguiram reativar células associadas a memória de medo em camundongos, demonstrando quais neurônios participavam especificamente daquela lembrança.
O estudo da optpgenética está abrindo possibilidades inéditas para pesquisas avançadas que podem ampliar o entendimento sobre a depressão, a ansiedade, a esquizofrenia, o Alzheimer e o Parkinson.
Também, tratamentos experimentais para recuperar parte da visão em pessoas com retinose pigmentar e possíveis aplicações em implantes cocleares, dispositivos eletrônicos que ajudam pessoas com perda auditiva já estão em andamento.
O Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia visa condecorar grandes descobertas ou mudanças de paradigma nas ciências da saúde que possibilitem a humanidade aprimorar o conhecimento sobre o corpo humano e as doenças.
Quem são os ganhadores
Karl Deisseroth é norte-americano. Psiquiatra, neurobiologista e professor da Universidade Stanford. Deisseroth promoveu a aplicação da optogenética à neurociência.
Ele desenvolveu métodos para usar a luz no controle de neurônios, o que transformou o estudo dos circuitos cerebrais e de doenças neurológicas e psiquiátricas.
O cientista americano também criou o método CLARITY, que permite tornar tecidos transparentes para visualizar estruturas do cérebro em detalhes.
Peter Hegemann é alemão e professor de Biofísica Experimental na Universidade Humboldt de Berlim. Suas pesquisas ajudaram a revelar as bases da optogenética descobrindo o funcionamento das proteínas sensíveis à luz, as canalrodopsinas, criando a possibilidade de controlar a atividade de células por meio de estímulos luminosos.
Georg Nagel é alemão. O cientista é biofísico e professor da Universidade de Würzburg. Seus estudos foram fundamentais para, junto com Hegemann, caracterizar as canalrodopsinas e demonstrar como essas proteínas poderiam ser usadas em células para a manipulação de neurônios.
Outros prêmios recentes
No ano passado o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia foi partilhado por dois cientistas dos EUA, Mary E. Brunkow e Fred Ramsdell, e pelo seu colega japonês Shimon Sakaguchi, pelas suas descobertas sobre a tolerância imunitária periférica, que impede o sistema imunitário de causar danos ao organismo, descobertas fundamentais para a compreensão de doenças autoimunes – Noticiou a euro News.
Em 2024 Victor Ambros e Gary Ruvkun foram laureados pela descoberta dos microRNAs e seu papel “na regulação genética pós-transcricional”, processo fundamental para o desenvolvimento das células do corpo humano.
A cerimónia de entrega dos prémios aos laureados terá lugar a 10 de dezembro, data do aniversário da morte de Alfred Nobel, industrial sueco e inventor da dinamite que fundou os prémios e faleceu em 1896.
Deisseroth, Hegeman e Nadel vão dividir os cerca de 12 milhões de coroas suecas, algo em torno de 1,09 milhões de euros (aproximadamente 5,72 milhões de reais).
Imagem da Capa – Karl Deisseroth, Peter Hegemann e Georg Nagel – Laureados com o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia – Foto Pontus Lundah – REUTERS – Via UOL






