Tecnologia inédita de restauração florestal criada por brasileiros recebe prêmio internacional

Eles são jovens empreendedores e idealizaram uma solução tecnológica inovadora, aliando design industrial de ponta, visando uma utilização prática para aplicação em trabalhos de restauração florestal de larga escala.

O objetivo, tornar mais eficiente e fácil o reflorestamento em grandes áreas, diminuindo a mão de obra com o monitoramento e o manejo após o plantio, reduzindo custos e permitindo maiores chances de sucesso para o pleno desenvolvimento das mudas plantadas.

Foi assim que os irmãos Bruno e Pedro Pagnoncelli juntamente com o amigo Bruno Ferrari, do Rio de Janeiro, criaram o NUCLEÁRIO.

O dispositivo recebeu o prêmio de US$ 100 mil ofertado pelo Biomimicry Global Design Challenge (Desafio Global de Design da Biomimética), promovido pela Fundação Ray C. Anderson, dos Estados Unidos.

A competição teve como objetivo promover idéias inovadoras para serem empregadas em ações de combate às mudanças climáticas.

O Nucleário, dispositivo para plantio de mudas arbóreas. Foto: facebook.com/nucleario

As florestas são uma parte crucial da mitigação das mudanças climáticas. Elas removem mais de 25% das emissões de carbono adicionadas à atmosfera do planeta a cada ano, afirmam os cientistas.

Mas o que é o nucleário? É um dispositivo feito com material biodegradável projetado com base no design de bromélias. A muda da espécie arbórea a ser utilizada no reflorestamento de um determinado ambiente natural é plantada no centro.

As bromélias são plantas epífitas que vivem em associação a galhos de árvores, recebendo umidade da atmosfera e do ambiente do entorno dos troncos, absorvendo nutrientes da sua superfície sem entretanto parasitar a árvore.

O Nucleário 2
O Nucleário usado no plantio de espécies arbóreas para reflorestamento protege as mudas impedindo a competição com ervas daninhas em seu entorno. Foto: facebook.com/nucleario

Por causa do seu formato, cujo desenho foi inspirado nestas plantas, o nucleário retém água de chuva´por um certo período e durante os períodos de estiagem essa água é transferida lentamente para o solo, onde atinge por capilaridade as raízes das plantas durante o seu desenvolvimento.

Estima-se que aproximadamente 30% das mudas de árvores morrem nos primeiros três anos após seu plantio.

O seu desenvolvimento saudável, requer que tenham suficiente aporte de umidade e que estejam protegidas do ataque de insetos e outros inimigos naturais.

Preparação dos dispositivos para aplicação prática em um local a ser reflorestado. Foto: facebook.com/nucleario

Isso requer um acompanhamento envolvendo manejo adequado que se torna desafiador principalmente em áreas remotas demandando altos investimentos.

Com o nucleário esses problemas são bastante minimizados. Além disso seu desenho dispõe de uma superfície negativa, que forma uma barreira física contra as formigas cortadeiras.

O nucleário foi testado primeiro no bioma Mata Atlântica e depois no bioma cerrado.

O bioma Mata Atlântica apresenta um potencial de cerca de 17 milhões de hectares áreas degradadas, onde o reflorestamento é dificultado por relevos muito montanhosos, bastante íngremes, com acesso às vezes precaríssimo, alta insolação e ambiente com característicos de baixa resiliência ecológica.

A Mata Atlântica e o Cerrado são os biomas brasileiros mais impactados pelas atividades antrópicas. Eles apresentam muitas fragmentações que acabam por descontinuar os corredores ecológicos, por onde os organismos fluem realizando as interações que permitem as trocas gênicas e o desenvolvimento da biodiversidade

“A natureza precisa da ajuda do homem para conectar esses fragmentos e criar corredores florestais”, disse Bruno, em entrevista ao Business Insider. “Precisamos fazer isso o quanto antes”.

Os três empreendedores já receberam outros prêmios entre eles o BraunPrize (Alemanha), RedDot (Singapura), International Design Excellence e o Biomimicry Global Design Challenge (Estados Unidos).

Entre os reconhecimentos nacionais, obtiveram também o Prêmio IdeaBrasil e foram finalistas do Desafio Ambiental, realizado pelo WWF-Brasil.

O autor: Jefferson Alvarenga é Biólogo, Pós Graduado em Gestão da Saúde Ambiental

Bibliografia

MAIA, Maria Fernanda. Tecnologia inovadora em restauração florestal chega à bacia do Guariroba. WWF Brasil, [S.I]. Brasil, 2018.

Disponível em https://www.wwf.org.br/?65422/Tecnologia-inovadora-em-restauracao-florestal-chega–bacia-do-Guariroba. Acesso em 06/01/2020 às 16:25 h.

NUCLEÁRIO. Página do Facebook, [S.I]. Rio de janeiro, 2012.

Disponível em: https://www.facebook.com/nucleario. Acesso em 06/01/2020 às 16:35 h.

The Ray C. Anderson Foundation. Organização Não Governamental. Atalanta, GA. USS. 2020.

Disponível em: https://www.raycandersonfoundation.org. Acesso em 06/01/2020 às 16:40 h.

* O conteúdo do site é produzido a partir de fatos concretos e de conhecimento baseado em evidências. Novas informações e ou avanços da ciência podem ensejar atualizações e aprimoramentos. Encontrou algum equívoco? Reporte-nos! *
Foto de Jefferson Alvarenga

Jefferson Alvarenga

Jefferson Alvarenga é criador e editor do Site Biota do Futuro. Biólogo, Pós Graduado em Gestão da Saúde Ambiental e em Imunologia e Microbiologia. Apaixonado por educação, pesquisa e por divulgação científica.

Como citar este conteúdo: ALVARENGA, Jefferson. Tecnologia inédita de restauração florestal criada por brasileiros recebe prêmio internacional. Biota do Futuro. Betim, 6 de janeiro de 2020. Disponível em: https://www.biotadofuturo.com.br/tecnologia-inedita-de-restauracao-florestal-criada-por-brasileiros-recebe-premio-internacional/. Acesso em 05/03/2026 às 20:05 h.

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