Crianças indígenas da etnia Yanomami estão sob um possível surto de coqueluche em Roraima, região norte do Brasil. Um alerta epidemiológico foi emitido pela secretaria Municipal de Saúde de Boa Vista no dia 13 de fevereiro.
Ao menos 8 casos foram confirmados até o dia 20/02/2026, em Surucucu, o maior território indígena do Brasil. Três crianças vieram à óbito informou o Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami (Dsei-Y).
A Associação Indígena Urihi, afirmou que o número de vítimas é maior, com 5 mortes, duas ocorreram da comunidade Aracik, e as comunidades Yarima, Parima e Wathou registraram 1 criança morta em cada uma delas. Outras 7 crianças estariam internadas na UTI em Boa vista além de outros casos que estão sob monitoramento em Surucucu.
O surto estaria relacionado, “entre outros fatores, à falha na cobertura vacinal da população Yanomami contra a coqueluche, o que aumenta significativamente o risco de agravamento e disseminação da doença, especialmente entre crianças” – diz um dos trechos de uma nota emitida pela Urihi Associação Yanomami.
A bactéria Bordetella pertussis é o agente etiológico causador da coqueluche, uma doença respiratória altamente infeciosa, também conhecida como tosse comprida. A infecção acontece por meio de gotículas ao tossir, falar ou espirrar.
A doença causa tosse seca e intensa, crises respiratórias e episódios de vômito. Bebês com menos de seis meses são bastante vulneráveis a quadros graves. A vacina é a principal forma de prevenção da doença.
Waihiri Hekurari, Presidente da Associação Urihi, disse que está acompanhando de perto a situação. Um ofício foi encaminhado ao Ministério da Saúde solicitando um plano de contingência e bloqueio.
Segundo o lider indígena, a situação pode ter escalado para outras regiões da Terra Yanomami. Hekurari acusa o Ministério da Saúde de falta de transparência em relação ao real cenário da doença. “A avaliação é de que, sem acompanhamento, mais crianças podem morrer. A emergência sanitária na região continua” – disse Hekurari.
Segundo o Portal G1, atualmente, 13 crianças Yanomami estariam internadas no Hospital da Criança Santo Antônio, em Boa Vista.
A Terra indígena Yanomami é o lar de mais de 31 mil pessoas. Os Yanomamis se dividem em seis subgrupos linguísticos da mesma família: Yanomam, Yanomamɨ, Sanöma, Ninam, Ỹaroamë e Yãnoma, vivendo em uma área de quase 10 milhões de hectares, distribuídos em 370 comunidades.







