Os neurônios são as principais células do sistema nervoso. Essas células por muito tempo foram tidas como incapazes de se regenerar.
Entretanto, um estudo de 2019 trouxe uma nova abordagem, mostrando que os neurônios podem sim ser renovados, especificamente em uma região em particular do cérebro, em um dos fenômenos mais incríveis do cérebro adulto dos mamíferos.
O hipocampo é a estrutura onde acontece a adição de novos neurônios ao longo da vida, a neurogênese. A neurogênese do hipocampo adulto (AHN), é o processo que confere um grau incomparável de plasticidade a todo o circuito dessa região anatômica do órgão neurológico.
“Ao combinar amostras de cérebro humano obtidas sob condições rigorosamente controladas e métodos de processamento de tecidos de última geração, identificamos milhares de neurônios imaturos na DG de indivíduos humanos neurologicamente saudáveis até a nona década de vida” – disseram os autores da pesquisa publicada na Revista Nature Medicine.
Esses neurônios apresentaram graus variados de maturação ao longo dos estágios de diferenciação do AHN. Os resultados do estudo demonstram a persistência da AHN durante o envelhecimento fisiológico e patológico em humanos.
As evidências demonstraram também neurogênese comprometida como um mecanismo potencialmente relevante subjacente aos déficits de memória na Doença de Alzheimer.
Em entrevista à BBC, uma das pesquisadoras, Maria Llorens-Martin, comemorou a descoberta. “Acredito que geramos novos neurônios conforme precisamos aprender coisas novas. E isso ocorre a cada segundo de nossas vidas.”
A neurogênese é a área da neurociência que estuda a produção de novos neurônios ao longo da vida.
A neuroplasticidade é a capacidade de formarmos conexões entre os neurônios observada de forma mais intensa na infância.
Em doenças neurodegenerativas como Alzheimer, Parkinson, entre outras, a medicina ainda não consegue interromper o processo de neurodegeneração.
Entretanto, este estudo pode trazer esperanças relacionadas a doenças que podem ser impactadas por lesões fixas, como traumatismos cranianos, lesões cerebrais originadas por pancadas, ou uma gliose, que é uma cicatriz cerebral – explicou Iron Dangoni Filho, neurologista do Instituto de Neurologia de Goiânia ao Portal Terra.
Em outra pesquisa de 2024, cientistas identificaram um método por trás da transformação da função de uma célula em outra. Em experimentos com camundongos, a reprogramação neuronal direta, pode possibilitar a regeneração de neurônios envelhecidos e ajudar no tratamento de doenças neurodegenerativas, noticiou o Viva Bem UOL.
A reprogramação neuronal direta proporciona que células não neuronais no cérebro sejam transformadas em neurônios funcionais. Pequenas modificações químicas ocorrem no epigenoma, durante esse processo.
O epigenoma é um conjunto de compostos químicos que se ligam ao DNA e regulam a atividade dos genes sem alterar a sequência do DNA propriamente dito.
Esses grupamentos adicionados ao DNA ou às proteínas associadas a ele, são capazes de regular a atividade dos genes sem alterar a sua sequência de Nucleotídeos. Eles funcionam como marcadores que ativam ou silenciam genes, moldando como o genoma é usado pelas células.
O epigenoma atua como uma camada adicional de controle sobre o genoma, regulando a expressão gênica sem alterar o código genético.
O estudo mostrou que um regulador chamado YingYang equilibra o processo de conversão de astrócitos (um tipo de célula não neuronal encontrada no sistema nervoso central) em neurônios. O estudo foi publicado na Nature Neuroscience.
Imagem da Capa – Neurõnio Imagem – Bioscience – Reprodução







