O que fazer caso surjam escorpiões em casa, como evitá-los e como proceder em caso de acidentes?

Para começar é bom saber que o escorpião é um aracnídeo. Outra coisa é que ele é um animal sinantrópico, ou seja ele é bem adaptado para viver em ambientes urbanos, onde as condições e os recursos oferecidos pelo modo de vida humano facilitam sua permanência e proliferação.

O escorpião possui o corpo segmentado, oito patas, um par de pinças e uma cauda longa com um ferrão na ponta. Esses animais estão no planeta desde o Período Siluriano, há cerca de 430 milhões de anos atrás.

O animal é encontado em boa parte do mundo principalmente em regiões tropicais. Ele adora locais quentes, úmidos e sombreados ou com pouca luz.

Onde os escorpiões encontram alimento, água, abrigo e acesso, eles se sentem bem à vontade, é tudo que eles precisam para se multiplicarem.

Segundo o Intituto Butantan, “os escorpiões desempenham um papel importante no equilíbrio ecológico como predadores de outros seres vivos e devem ser preservados” (na natureza). Mas medidas preventivas devem ser tomadas para evitar a sua proliferação no meio urbano e (também) os acidentes”.

Quatro espécies entre as existentes no Brasil são de interesse médico por causarem acidentes. De hábitos noturnos, o animal geralmente não ataca, preferindo fugir quando se sente ameaçado, mas se tocado ele pode desferir uma ferroada como forma de defesa.

Infográfico- Como lidar com acidentes com escorpiões – Daniel da Neves – Instituto Butantan – SP- Divulgação

Assim, as seguintes espécies requerem atenção. O escorpião-preto-da-Amazônia (Tityus obscurus), ocorre na região Norte e no Mato Grosso; o escorpião-amarelo-do-Nordeste (Tityus stigmurus), que também tem aparecido em São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Tocantins; o escorpião-marrom (Tityus bahiensis), habita as regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul; e o escorpião-amarelo (Tityus serrulatus), com ocorrência em todas as regiões do país.

Algumas práticas podem inibir o acesso dos escorpiões e outros animais nas áreas urbanas e próximo ou no interior dos domicílios.

Eliminar acúmulo de lixo e entulhos. Limpar as folhas secas caídas no quintal. Manter ralos, calhas e canaletas limpas. Eliminar baratas das caixas de gordura e passagem de esgoto, mantendo-as limpas com revisões periódicas. Manter a casa arejada e limpa. Evitar acúmulo de objetos desnecessários. Manter ralos tampados. Não deixar buracos ou frestas expostos. Manter a casa organizada, roupas, sapatos e outros objetos espalhados podem se tornar um bom esconderijo.

Escorpião-marrom – Tityus bahiensis – Foto José Felipe Batista – Instituto Butantan – SP

Os escorpiões vivem cerca de 4 anos em média. Eles levam cerca de 10 a 12 meses para se tornarem adultos e reprodutivamente ativos. Podem ter de 20 a 25 filhotes até duas vezes ao ano. Alguns podem se reproduzir sem acasalar, por partenogênese, como é o caso das espécies escorpião-amarelo e escorpião-amaredo-do-nordeste, por exemplo.

Esses animais se alimentam de baratas, diversos outros insetos e pequenos vertebtados.

A picada do escorpião pode causar problemas leves, moderados ou graves. O veneno pode afetar o sistema nervoso. Ocorre edema e dor intensa no local da ferroada. Os sintomas podem evoluir para sudorese abundante, vômito e taquicardia nos casos moderados. Os casos mais graves podem resultar em intensa salivação, insuficiência cardíaca, edema pulmonar e até mesmo a morte.

Tudo depende da quantidade do veneno injetado pelo animal, da vulnerabilidade alérgica e das condições físicas do paciente. Crianças, idosos e pessoas debilitadas correm mais risco de agravamento do quadro.

Em caso de acidente, é recomendado lavar imediatamente o local com água e sabão. Para aliviar a dor pode-se fazer uma compressa quente. Busque atentimento médico imediatamente. Não tente capturar o animal sem uma proteção adequada.

O site do Ministério da Saúde disponibiliza uma lista de UNIDADES DE REFERÊNCIA para atendimento em caso de acidentes que pode ser consultada previamente.

Para mais informações úteis pode ser proveitoso também dar uma olhada na CARTILHA em forma de livreto do Instituto Butantan.

Bibliografia

CARVALHO, Mateus. Saiba o que fazer para prevenir o aparecimento de escorpiões em casa. Intituto Butantan [S.I]. São Paulo, outubro de 2023. Disponível em: https://butantan.gov.br/noticias/saiba-o-que-fazer-para-prevenir-o-aparecimento-de-escorpioes-em-casa. Acesso em: 07/02/2025 às 15:00 h.

NEUMAM, Camila. O que fazer e o que não fazer ao encontrar um escorpião? Intituto Butantan [S.I]. São Paulo, Fevereiro de 2025. Disponível em: https://butantan.gov.br/noticias/o-que-fazer-e-o-que-nao-fazer-ao-encontrar-um-escorpiao. Acesso em: 07/02/2025 às 16:00 h.

Imagem do texto – Infográfico- Como lidar com acidentes com escorpiões – Daniel das Neves -Instituto Butantan – SP – Divulgação

Imagem do texto – Escorpião-marrom – Tityus bahiensis – Foto José Felipe Batista – Instituto Butantan – SP

Imagen da capa – Foto de Patric Rossmeisl – Disponível em: https://www.pexels.com/pt-br/foto/escorpiao-europeu-29448651/ – Apenas ilustrativa

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Jefferson Alvarenga

Jefferson Alvarenga é criador e editor do Site Biota do Futuro. Biólogo, Pós Graduado em Gestão da Saúde Ambiental e em Imunologia e Microbiologia. Apaixonado por educação, pesquisa e por divulgação científica.

Como citar este conteúdo: ALVARENGA, Jefferson. O que fazer caso surjam escorpiões em casa, como evitá-los e como proceder em caso de acidentes?. Biota do Futuro. Betim, 7 de fevereiro de 2025. Disponível em: https://www.biotadofuturo.com.br/o-que-fazer-caso-surjam-escorpioes-em-casa-como-evita-los-e-como-proceder-em-caso-de-acidentes/. Acesso em 24/02/2026 às 23:14 h.

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