A ciência tem defendido há décadas, o continente africano como o local do surgimento da espécie humana. O Homo sapiens teria surgido ali, há cerca de 7 milhões de anos atrás.
O bipedalismo, a capacidade de andar sobre os dois membros inferiores, teria sido um dos marcos que caracterizou a transição de ancestrais primitivos para o homem moderno em sua trajetória evolutiva.
Entretanto, um artigo publicado no último dia 04/03 na Revista Palaeobiodiversity and Palaeoenvironments, traz evidências que podem levar a uma reavaliação das nossas origens.
O estudo revelou a descoberta de um fêmur datado de 7,2 milhões de anos com caracteríticas que podem ser associadas aos primeiros representantes dos hominídeos.
O osso fossilizado foi encontrado no sítio arqueológico de Azmaka, próximo à cidade de Chirpan, na Planície da Trácia Superior, Bulgária e pertenceria a um indivíduo do gênero Graecopithecus sp.
O Graecopithecus é um primata pré-histórico cuja classificação como ancestral humano vem sendo debatida desde 2017 com enormes controvérsias.
Naquele ano, fragmentos de mandíbula e dentes deste possível grupamento humano primitivo foram encontrados na Grécia – noticiou a Revista Galileu.
O fêmur apresenta características anatômicas compatíveis com a locomoção bípede.
O colo femoral alongado e orientado para cima, a presença de pontos específicos de inserção muscular e uma espessura particular da camada externa do osso são pistas morfológicas que sugerem semelhança com outros fósseis ancestrais de humanos bípedes.
O osso possivelmente pertenceu a uma fêmea que viveu às margens de um rio em um ambiente de savana, uma paisagem semelhante àquelas existentes na atual África Oriental. O possível espécime pesava cerca de 24 quilos.
O fóssil apresenta uma combinação de traços típicos de grandes símios e de bípedes, sugerindo uma forma intermediária de locomoção, indicando que a sua dona em vida, possivelmente se movia alternando entre o bipedalismo e o quadrupedalismo, um estágio típico de transição evolutiva.
Segundo o antropólogo David Begun, professor da Universidade de Toronto, no Canadá, e coautor do estudo, o Graecopithecus sp pode ser o humano mais antigo conhecido”, uma vez que o hominíneo mais ancestral amplamente aceito pertence ao gênero Orrorin sp. descoberto no Quênia e datado de aproximadamente 7 milhões de anos.
Caso as interpretações sobre o achado paleontológico estiverem corretas e o Graecopithecus sp for confirmado como membro da linhagem humana, a espécie antecederia em idade o Orrorin sp. A descoberta também deslocaria a origem dos hominídeos da África para a Eurásia.
Por enquanto a classificação do Graecopithecus sp. como hominíneo permanece controversa. Mais estudos serão necessários para confirmar ou refutar a hipótese. As pesquisas paleontológicas e antropológicas avançam. Enquanto isso novas afirmações sobre a origem da espécie humana demandam cautela.
Imagem da capa: Graecopithecus – Representação Artística – Ilustração: Velizar Simeonovski. – SCI News







