Como reconhecer o mosquito Aedes aegypti?

A Dengue é uma doença infeciosa causada por um vírus que é transmitido principalmente pelo mosquito Aedes aegypti. Os cuidados para controlar o mosquito devem ser tomados durante todo o ano como medida preventiva mais eficaz para evitar a doença.

O verão é a época em que esse mosquito mais se prolifera. Os mosquitos se beneficiam do calor e da umidade, fatores ambientais que favorecem a eclosão dos seus ovos nos meses mais quentes do ano. O Aedes aegypti é também o responsável pela transmissão dos vírus causadores da zika, da chikungunya e da febre amarela.

No meio ambiente, o mosquito Aedes aegypti precisa de água parada para se reproduzir. Esse inseto coloca seus ovos em pneus, latas e garrafas vazias, calhas entupidas, pratinhos de plantas, caixas-d’água descobertas e outros lugares que contenham água acumulada.

Morfologicamente o mosquito apresenta coloração preta ou marrom no corpo e nas asas e mede cerca de 0,5 a 1 cm. Outra particularidade é a presença das famosas listras brancas no abdômen e nos três pares de patas. Seu hábitos são diurnos e o estudo de sua ecologia indica que ele é mais ativo nas primeiras horas da manhã e no fim da tarde.

O Aedes voa mais frequentemente a cerca de meio metro  do solo, podendo entretanto voar mais alto, até cerca de 2 metros ou mais. Em função disso, as regiões mais atingidas por suas picadas são as pernas, os tornozelos e os pés. Mas ele pode picar outras partes do corpo humano também.

Sua saliva contém uma substância anestésica que faz com que a picada muitas vezes não seja percebida. Contém também substâncias anti coagulantes ativas que favorecem o repasto sanguíneo durante a picada.

Machos e fêmeas se alimentam de néctar de flores e seiva de plantas, mas apenas as fêmeas são hematófagas e picam os humanos, pois o sangue é necessário para o desenvolvimento dos seus ovos durante o período reprodutivo.

Mosquito Aedes aegypti

A melhor forma de combater o Aedes é adotar cuidados que impeçam a reprodução do inseto eliminando seus possíveis criadouros. O uso de repelentes pode reduzir as chances de ser picado, mas a sua infestação principalmente em áreas urbanas é a principal forma de que o vírus dispõe para se disseminar através da picada. Então os principais cuidados para que a infestação não ocorra são:

A. Tenha muito cuidado com os vasos de plantas: Encha com areia até a borda os pratinhos para evitar o acúmulo de água e lave-os uma vez por semana com sabão e escova;
B. Desfaça-se-se de objetos que acumulam água: descarte corretamente latas, garrafas, potes, pneus e qualquer outro tipo de objeto que possa servir como criadouro. O ideal é optar pela reciclagem sempre que possível;
C. Armazene garrafas da forma correta: se você deseja guardar garrafas e outros objetos que podem acumular água, armazene-os tampados ou com a boca para baixo;
D. Evite o entupimento de calhas e a contaminação de caixas-d’água: as calhas devem ser mantidas desobstruídas e livres de folhas e galhos, enquanto as caixas-d’água devem estar sempre bem tampadas;
E. Higienize recipientes que armazenam água: tanques, barris e tonéis utilizados para guardar água da chuva, por exemplo, devem ficar tampados e ser lavados periodicamente utilizando escova e sabão. As piscinas devem ser tratadas com cloro;
F. Tenha atenção e cuidado com o lixo: amarre bem as sacolas e deposite-as em lixeiras fora do alcance de animais. Não jogue lixo em terrenos baldios;
G. Utilize proteção individual como medida complementar: as medidas coletivas de proteção podem ser complementadas com cuidados como o uso de repelentes e inseticidas, a instalação de mosquiteiros e telas em portas e janelas e a preferência por roupas de mangas compridas.

Os sintomas de dengue, zica, chikungunya e febre amarela são praticamente os mesmos, eles apresentam pouca especificidade, exceto por algumas particularidades e incluem febre, dor de cabeça, náuseas, vômitos, manchas vermelhas na pele e dores nas articulações e nos músculos, o que torna difícil diferenciar essas doenças entre si e inclusive em relação a algumas outras patologias.

Por isso, além de saber como identificar o mosquito Aedes aegypti e adotar as medidas de prevenção, é preciso estar atento aos sintomas e procurar atendimento médico.

Apenas esse profissional poderá avaliar clinicamente o paciente e através da solicitação e realização de exames laboratoriais específicos diagnosticar com absoluta certeza cada uma das doenças virais veiculadas e transmitidas pelo Aedes aegypti.

Além disso, as doenças transmitidas pelo Aedes aegypti podem provocar complicações muito graves, como a falência de órgãos vitais como rins, pulmões e fígado, hemorragias, síndrome de Guillain-Barré, surdez, microcefalia e morte. Por isso, todo cuidado é pouco! É preciso cada um fazer a sua parte!

O autor: Jefferson Alvarenga é Biólogo e Pós Graduado em Gestão da Saúde Ambiental.

* O conteúdo do site é produzido a partir de fatos concretos e de conhecimento baseado em evidências. Novas informações e ou avanços da ciência podem ensejar atualizações e aprimoramentos. Encontrou algum equívoco? Reporte-nos! *
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Jefferson Alvarenga

Jefferson Alvarenga é criador e editor do Site Biota do Futuro. Biólogo, Pós Graduado em Gestão da Saúde Ambiental e em Imunologia e Microbiologia. Apaixonado por educação, pesquisa e por divulgação científica.

Como citar este conteúdo: ALVARENGA, Jefferson. Como reconhecer o mosquito Aedes aegypti?. Biota do Futuro. Betim, 22 de fevereiro de 2019. Disponível em: https://www.biotadofuturo.com.br/como-reconhecer-o-mosquito-aedes-aegypti/. Acesso em 19/01/2026 às 14:14 h.

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