O conhecimento sobre a densidade e a distribuição de árvores gigantes na Amazônia é vital para a compreensão de seus papéis ecológicos e contribuição para as interações floresta-clima.
Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade do Estado do Amapá (UEAP) buscou pela primeira vez saber a quantidade de árvores com mais de 60 metros de altura existentes na Amazônia e onde elas estão.
A pesquisa foi publicada no dia 14/10 na revista New Phytologist e teve a colaboração de vários cientistas de outras instituições nacionais e internacionais.
As grandes árvores desempenham um papel primordial para o equilíbrio da floresta, atuando sobre a biodiversidade, o armazenamento de carbono e influenciando a resiliência do ecossistema.
A fim de mapear e modelar a densidade de árvores gigantes em toda a Amazônia brasileira, os cientistas utilizaram dados de sensoriamento remoto por tecnologia LiDAR (Light Detection and Ranging).
Os dados foram coletados entre 2016 e 2018 em 900 áreas da floresta, cada uma com cerca de 3,75 km² e combinados com 16 variáveis ambientais, o que permitiu a construção de um modelo preditivo de padrões de alta precisão para uma floresta randomizada utilizando técnicas de Inteligência Artificial.
O estudo viabilizou gerar estimativas robustas sobre a distribuição regional e avaliar associações com o clima, a topografia e com regimes de perturbação.
Os resultados indicaram que a distribuição de árvores gigantes na Amazônia é desigual.
As maiores concentrações foram verificadas em regiões de alta disponibilidade de água, temperatura amena, boa luminosidade e baixa incidência de raios, ventos fortes e outros distúrbios naturais, fatores que favorecem o crescimento de árvores gigantes
O estado de Roraima e o Escudo das Guianas — que inclui parte do estado do Amapá, apresentaram as mais altas densidades de árvores gigantes na Amazônia.
Segundo o estudo, o Amapá possui grande cobertura vegetal e baixa taxa de desmatamento, o que faz a região se destacar em termos de potencial preservacionista.
A pesquisa estimou a existência de 55,5 milhões de árvores grandes em toda a Amazônia brasileira, exemplares com mais de 60 metros de altura, representando cerca de 0,001% do total.
As árvores de grande porte “levam séculos para atingir esses tamanhos, e muitas das espécies podem ser incapazes de se regenerar em escalas de tempo compatíveis com as rápidas mudanças climáticas do planeta” – diz o estudo
Elas podem estar se perdendo em um ritmo mais rápido do que estão sendo substituídas devido à degradação ambiental e aos distúrbios relacionados ao clima.
O estudo mostrou que poucas árvores gigantes podem concentrar grandes estoques de biomassa e carbono acima do solo, o que as torna peças-chave no equilíbrio ecológico da floresta – informou Robson Lima Borges, pesquisador da Ueap;
Até o momento a maior árvore catalogada da Amazônia é um angelim-vermelho, descoberto em 2019 com incríveis 85,44 m de altura – informou o G1.







