Evidências obtidas da análise de formações geológicas antiquíssimas em Marte, sugerem que o planeta vermelho já foi azul como a Terra em um passado remoto, quando possivelmente tinha também diversos oceanos.
O Valles Marineris, um grandioso sistema de cânions que corta o equador de Marte, pode ter sido o local em que ocorreu o mais alto nível de água já registrado no planeta. Marte pode ter tido grandes oceanos e diversos outros corpos d’água em sua superfície. Um volume d’água muito maior do que se pensava.
O estudo sobre este recente achado científico, assinado por Ignatius Argadestya da Universidade de Berna, na Suiça, foi publicado na revista NPJ Space Exploration no dia 7 de janeiro de 2026 e se baseou em uma série de imagens de alta resolução, captadas por sondas da Nasa e da Agência Espacial Europeia.
As imagens mostram redes de canais ramificados, semelhantes a rios, que descem de áreas elevadas e terminam em grandes depósitos de sedimentos, indicando formações características típicas de deltas.
Esses depósitos sedimentares formando deltas, são formações tipicas quando rios deságuam em mares ou grandes lagos.
O estudo se baseia em evidências sedimentológicas claras e consistentes de uma antiga costa.
Os depósitos datam de cerca de 3,3 bilhões de anos atrás, um possível período de maior disponibilidade de água líquida na superfície de Marte – diz o estudo.
A água provavelmente fluía de forma contínua e encontrava corpos de água estáveis, onde os sedimentos se acumulavam.

O estudo aponta que os depósitos aparecem na mesma faixa de altitude, entre cerca de 3.650 e 3.750 metros abaixo do nível de referência de Marte, sugerindo a existência de uma antiga linha costeira, marcando o nível máximo alcançado pela água, reforçando a hipótese de que a água formava um grande sistema conectado.
Foram encontradas as mesmas características geológicas em outras regiões, incluindo locais que ligam o Valles Marineris às planícies do norte do planeta.
A reconstrução geomorfológica detalhada do passado marciano foi possível graças à combinação de dados de várias missões espaciais.
As conclusões foram obtidas a partir de equipamentos como o da câmera CaSSIS, do ExoMars Trace Gas Orbiter, desenvolvida sob liderança da Universidade de Berna, além de instrumentos das sondas Mars Express, da Agência Espacial Europeia (ESA), e Mars Reconnaissance Orbiter, da Nasa – noticiou a Revista Galileu.
Segundo Fritz Schlunegger, professor de Geologia Exógena da Universidade de Berna, “não estamos apenas sugerindo que havia água. Estamos mostrando onde os rios terminavam e onde começava o oceano” – explicou.
Trata-se do maior e mais profundo oceano já documentado na história geológica de Marte – disseram os autores do estudo.
Os deltas fossilizados estão atualmente parcialmente cobertos por dunas moldadas pelo vento. Entretanto, sua arquitetura original continua visível o suficiente para permitir inferências e interpretações robustas.
Mas um dia tudo mudou. Em um dado momento da história geológica de Marte, o clima ficou mais seco e mais frio. O planeta começou a perder água. Os antigos rios e mares desapareceram, dando lugar ao atual ambiente árido que caracteriza aquele mundo.
Os locais onde rios encontravam mares são considerados ambientes ideais para preservar sinais de vida microscópica, se tornando alvos de futuras missões por busca de sinais de vida pretérita ou atual em marte.






