Pampa tem a maior perda de vegetação dos últimos 40 anos, diz MapBiomas 


A degradação ambiental no Brasil tem superado todos os recordes de sua história nos últimos 3 anos de forma lamentável. 

Desde a Amazônia, passando pelo Cerrado e o Pantanal, os biomas brasileiros têm sofrido perdas irreparáveis, com queimadas dantescas, desmatamento e todo tipo de devastação. 

Agora, o Pampa, o bioma brasileiro mais ao sul do nosso país, registra a maior perda de vegetação dos últimos 40 anos.  

Um levantamento feito pelo MAPBIOMAS revelou que em 2024, cerca de 45,6% da vegetação nativa do Pampa, já estava afetado pelos impactos das atividades humanas. 

O Pampa é o bioma brasileiro que proporcionalmente mais sofreu perdas de habitats naturais nas últimas 4 décadas. Desde 1985, até o ano passado, a área afetada totalizou 8,8 milhões de hectares, um crescimento de 76%.  

O avanço exploratório sobre o Pampa, afetou principalmente a vegetação de campos nativos. Os dados levantados apontam que as maiores perdas de vegetação campestre ocorreram entre 2015 e 2024. 

“Esse nível de transformação das paisagens do Pampa, com grandes perdas acumuladas de vegetação nativa, demanda uma reflexão sobre o futuro do bioma” – disse Heinrich Hasenack, coordenador da pesquisa no Pampa do MapBiomas.   

“A vegetação nativa é importante para o equilíbrio ecológico, além de proteger o bioma contra os efeitos das mudanças climáticas” – completou hasenack. 

É importante ressaltar que penas 3% do território do Bioma Pampa é oficialmente protegido, o que faz dele o bioma brasileiro com a menor proporção de unidades de conservação no país. 

O Pampa se estende por 83,3 milhões de hectares, distribuídos em três países, Brasil, Argentina e Uruguai. No Brasil o bioma está inserido unicamente no estado do Rio Grande do Sul, ocupando cerca de 2% do território nacional, uma área de aproximadamente 176.496 Km². O clima é subtropical úmido com relevo pouco acidentado. 

A vegetação que caracteriza o bioma é composta basicamente por espécies herbáceas incluindo gramíneas e ervas, com a presença de árvores isoladas e subarbustos representando espécies lenhosas esparsamente distribuídas. 

O levantamento divulgado nesta quinta-feira (9), indica que o Pampa, pode ser considerado como o bioma brasileiro com o menor percentual de cobertura de vegetação nativa, depois do bioma Mata Atlântica. 

As principais atividades que têm impactado o Pampa são a agricultura extensiva, principalmente soja, pastagens exóticas, silvicultura especialmente de eucalipto, mas também atividades de mineração e expansão de áreas urbanas. 

A densidade de plantas nativas no bioma é de 50 espécies por metro quadrado. As atividades antrópicas afetam enormemente essa diversidade, empobrecem o solo e reduz os serviços ecológicos, como a regulação hídrica e o sequestro de carbono e provoca perda de habitas para inúmeras espécies de animais.  

* O conteúdo do site é produzido a partir de fatos concretos e de conhecimento baseado em evidências. Novas informações e ou avanços da ciência podem ensejar atualizações e aprimoramentos. Encontrou algum equívoco? Reporte-nos! *
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Jefferson Alvarenga

Jefferson Alvarenga é criador e editor do Site Biota do Futuro. Biólogo, Pós Graduado em Gestão da Saúde Ambiental e em Imunologia e Microbiologia. Apaixonado por educação, pesquisa e por divulgação científica.

Como citar este conteúdo: ALVARENGA, Jefferson. Pampa tem a maior perda de vegetação dos últimos 40 anos, diz MapBiomas . Biota do Futuro. Betim, 10 de outubro de 2025. Disponível em: https://www.biotadofuturo.com.br/pampa-tem-a-maior-perda-de-vegetacao-dos-ultimos-40-anos-diz-mapbiomas/. Acesso em 20/04/2026 às 02:02 h.

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