Alteração do polo magnético da Terra tem colocado cientistas em alerta

O planeta Terra possui um Polo Norte Geográfico, relacionado à posição ao seu eixo de rotação, esse polo é fixo na direção do Ártico.

Possui também um Polo Norte Magnético, o qual tem sua origem no campo gerado pela rotação do núcleo liquido do interior do planeta, esse geralmente sofre variações constantes. É o chamado Geodínamo.

As variações do campo magnético terrestre tanto em intensidade como em termos de direção são influenciadas por fenômenos gelógicos que acontecem nas profundezas no centro do nosso mundo.

O ponto onde as linhas do campo magnético convergem é o local físico do norte magnético da Terra.

Alterações intensas do campo magnético podem gerar anomalias no funcionamento dos sistemas de satélites afetando as tecnologias de navegação por GPS e até as comunicações.

A movimentação do polo magnético terrestre é monitorada por cientistas britânicos do Serviço Geológico Britânico (BGS), em colaboração com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos.

Essas agências governamentais desenvolveram o Modelo Magnético Mundial (WMM). A cada cinco anos o modelo registra e atualiza a posição do polo norte magnético, e faz prognósticos futuros da situação.

Recentemente, a última atualização dos dados revelou que houve um deslocamento considerável em direção à Sibéria, um comportamento inusitado cujas causas ainda estão sendo investigadas.

O polo magnético foi descoberto em 1831 pelo explorador James Clark Ross e sua posicão foi determinada inicialmente na Península de Boothia, no norte do Canadá. Desde então o polo já se movimentou mais de 1500 km deslocando-se em direção à Rússia.

Isso pode exigir revisões em sistemas de navegação usados por aviões, navios e até smartphones e todas as tecnologias que operam com precisão tendo como referência a posição do polo magnético.

Adicionalmente é importante colocar que em um cenário mais caótico, pode ocorrer uma inversão dos polos, onde norte e o sul magnéticos trocam de posição, situação que já aconteceu na história geológica da terra em outras ocasiões no passado remoto. A última reversão ocorreu há cerca de 780.000 anos.

Um acontecimento igualmente singular tem sido a constatação de que também a velocidade de movimentação dos materiais no núcleo da Terra tem se modificado.

Isso indica que o núcleo do planeta tem girado mais lentamente. No passado o núcleo da Terra girava mais rápido. Nos últimos séculos o campo magnético da Terra enfraqueceu cerca de 9% em função da desaceleração do movimento dos materiais do núcleo.

A próxima atualização do Modelo Magnético Mundial está prevista para 2030. Os cientistas continuam monitorando a situação. As probabilidades são incertas, apesar disso não se tem certeza ainda da necessidade de atualização ou não do WMM antes da data planejada.

Imagem da capa – Modelo Magnético Mundial – WMM – Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos EUA – NOAA – Serviço Geológico Britânico – BGS – Simon Wakefield – Wikimedia Commons – Divulgação

* O conteúdo do site é produzido a partir de fatos concretos e de conhecimento baseado em evidências. Novas informações e ou avanços da ciência podem ensejar atualizações e aprimoramentos. Encontrou algum equívoco? Reporte-nos! *
Foto de Jefferson Alvarenga

Jefferson Alvarenga

Jefferson Alvarenga é criador e editor do Site Biota do Futuro. Biólogo, Pós Graduado em Gestão da Saúde Ambiental e em Imunologia e Microbiologia. Apaixonado por educação, pesquisa e por divulgação científica.

Como citar este conteúdo: ALVARENGA, Jefferson. Alteração do polo magnético da Terra tem colocado cientistas em alerta. Biota do Futuro. Betim, 14 de julho de 2025. Disponível em: https://www.biotadofuturo.com.br/alteracao-do-polo-magnetico-da-terra-tem-colocado-cientistas-em-alerta/. Acesso em 05/03/2026 às 19:59 h.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

News Letter

Inscreva-se e receba nossas atualizações

    Fumaça dos incêndios no Brasil atingiu o sul do continente africano
    08 nov

    Fumaça dos incêndios no Brasil atingiu o sul do continente africano

    A informação veio do Serviço de Monitoramento Atmosférico Copernicus -

    Catástrofe: amazônia queimando, maior índice de incêndios em 17 anos
    04 set

    Catástrofe: amazônia queimando, maior índice de incêndios em 17 anos

    Devastação, perda de biodiversidade, tragédia ambiental. Onde há fumaça há

    Metamorfose: desvendando o ciclo de vida dos insetos, uma jornada de transformação
    31 mar

    Metamorfose: desvendando o ciclo de vida dos insetos, uma jornada de transformação

    Os insetos são criaturas fascinantes e incrivelmente diversas. Eles representam

    Amazônia tem 55 milhões de árvores gigantes, estima estudo
    30 dez

    Amazônia tem 55 milhões de árvores gigantes, estima estudo

    As grandes árvores da Amazônia influenciam no equilíbrio da floresta atuando de forma importante sobre a biodiversidade

    Regeneração de neurônios é possível, diz ciência
    26 fev

    Regeneração de neurônios é possível, diz ciência

    Os neurônios são as principais células do sistema nervoso. Essas células por muito tempo foram tidas como incapazes de se regenerar.

    É possível morrer de rir? Parece estranho, mas pode acontecer
    04 set

    É possível morrer de rir? Parece estranho, mas pode acontecer

    Historicamente, casos de morte por riso foram documentados desde a Grécia Antiga até aos dias mais atuais.

    Desmatamento na Caatinga ameaça habitat de primata endêmico do bioma 
    02 dez

    Desmatamento na Caatinga ameaça habitat de primata endêmico do bioma 

    Florestas desconectadas atrapalham a dispersão da população o que afeta sobremaneira a continuidade da espécie

    Amazônia é responsável por 10% do plástico despejado nos oceanos, aponta estudo
    30 set

    Amazônia é responsável por 10% do plástico despejado nos oceanos, aponta estudo

    A Amazônia é a maior bacia hidrográfica do planeta e possui o segundo rio mais poluído por plástico do mundo – Informou a Fiocruz Amazônia.

    Terapia combinada poderá restaurar células produtoras de insulina e reverter diabetes
    25 jul